Fernando Haddad diz que não se candidatará a nada e Camilo Santana desmente que concorrerá ao governo do Ceará
Por Edu Mota, de Brasília
No mesmo dia em que Fernando Haddad disse que deixará a pasta da Fazenda sem pretensão de se candidatar a qualquer outro cargo, um outro ministro, Camilo Santana, confirmou que deixará o Ministério da Educação, e já se especula em Brasília que ele pode vir até mesmo a concorrer ao governo do Ceará. As declarações foram dadas em entrevistas nesta segunda-feira (19).
Ao site Uol, Fernando Haddad, que deve sair do cargo até o final do mês, disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que teria manifestado a ele o desejo de ajudar neste ano a “discutir um projeto de país no cenário internacional”. Haddad deve ser substituído no Ministério da Fazenda pelo atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan.
“Disse a Lula, em todas as ocasiões, que não iria me candidatar em 2026, a todos os cargos. Tenho relação pessoal com Lula, o presidente convive com a minha família. Eu tenho ouvido o presidente. Começamos a conversar sobre a minha saída do governo na semana passada e levei as minhas considerações a ele”, disse Haddad.
Na entrevista ao portal Uol, o ministro afirmou ainda que o país vive uma fase mais propensa ao surgimento de candidatos de extrema-direita.
“Todo extremo gera instabilidade. Isso gera esperança em candidatos menos prováveis. Se Bolsonaro chegou na presidência, qualquer candidato será habilitado para ser 'imperador do Brasil'. As esperanças de pessoas que não eram ouvidas passam a ser consideradas em uma alternativa’, avaliou o ministro.
Já o ministro da Educação, Camilo Santana, em conversa com jornalistas durante a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), descartou deixa o seu cargo para assumir outro ministério. O político cearense vem sendo cotado para se tornar ministro da Casa Civil, após a saída de Rui Costa por conta das eleições, ou mesmo entrar como vice-presidente na chapa de Lula.
Aos jornalistas, Camilo Santana não chegou a cravar quando deixará a pasta da Educação, mas disse que caso isso aconteça, o fará para voltar ao Senado e se dedicar à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas. O ministro disse ainda que sua saída do MEC depende da decisão do presidente Lula.
“Em relação à questão mais pessoal, política, essa é uma decisão que vamos ter até março para tomar, mas quero dizer claramente aqui que o meu candidato, que eu vou trabalhar, será Elmano de Freitas, para ser reeleito governador do Estado do Ceará e presidente Lula para ser reeleito presidente desse País”, afirmou o ministro.
Nos últimos dias o nome de Camilo Santana começou a ganhar força para disputar o governo do Ceará, principalmente após a divulgação de pesquisas eleitorais que apontam um cenário desfavorável para o atual governador Elmano de Freitas ante uma disputa com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Segundo o Instituto Paraná Pesquisas, Elmano perderia de Ciro por 46% a 33,2%.
A mesma pesquisa mostrou que Camilo Santana ganharia de Ciro Gomes com alguma distância. Apesar do favoritismo, o ministro da Educação insistiu que o atual governador será seu candidato ao governo do Ceará.
“Qualquer saída minha do ministério será para me dedicar à reeleição do governador Elmano e do presidente Lula”, reafirmou Camilo Santana nesta segunda.
