Brasileiro acusado de matar ex na Irlanda pesquisou “como matar alguém”, diz polícia
Por Redação
O brasileiro Miller Pacheco, acusado de matar a ex-namorada Bruna Fonseca em 2023, na Irlanda, teria acessado sites com conteúdos como “luta com facas” e “como matar alguém em três segundos” semanas antes da morte da jovem. Ele nega a autoria do crime.
Miller se mudou para a Irlanda em novembro de 2022 para ficar próximo de Bruna, que já vivia no país europeu. Poucos dias após a chegada dele, o casal terminou o relacionamento. Os dois, naturais de Minas Gerais, já haviam passado por um período de separação no início daquele ano.
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O corpo de Bruna Fonseca foi encontrado no dia 1º de janeiro de 2023, no apartamento alugado por Miller, na cidade de Cork. Os dois haviam se encontrado horas antes, durante uma festa de réveillon.
De acordo com a polícia irlandesa, o celular do acusado foi analisado. Em depoimento aos jurados, o sargento Brian Barron relatou que, em 19 de dezembro, Miller enviou uma mensagem à irmã dizendo que havia tomado uma decisão sobre o que faria e pediu que ela cuidasse do cachorro dele. Poucos minutos depois, segundo a investigação, ele acessou páginas com títulos como “Como matar alguém em três segundos”, “Como lutar bem com facas” e “Quais são as condições necessárias para matar alguém?”.
A defesa, representada pelo advogado Ray Bolland, sustenta que as buscas teriam relação com uma intenção de suicídio. Barron afirmou ainda que o brasileiro também pesquisou sobre os custos para transportar um corpo ao Brasil, mas destacou que não é possível identificar exatamente quais termos levaram aos acessos.
Entre a chegada de Miller à Irlanda, em 18 de novembro, e a morte de Bruna, ele enviou cerca de 2 mil mensagens à ex-namorada. Em uma delas, em 6 de dezembro, afirmou que ela gostava de vê-lo “irritado e furioso”. Dias depois, disse que havia sido “descartado como lixo”. Bruna respondeu dizendo que “não havia mais amor” nem “admiração”.
As trocas de mensagens continuaram por vários dias. Em 16 de dezembro, Miller acusou Bruna de ter arruinado sua vida. Em um áudio enviado a ela, afirmou que havia vendido tudo e que estava “sem nada”.
Na resposta, Bruna disse que não havia mentido ao dizer que estava feliz com a ida dele para a Irlanda, mas deixou claro que não o amava e que não poderia manter uma relação por pena.
Na madrugada do Ano Novo, os dois estiveram na mesma festa. Por volta das 3h, seguiram para o apartamento de Miller, na Liberty Street, para fazer uma chamada de vídeo e ver o cachorro do casal, que estava no Brasil. Minutos depois, moradores relataram ter ouvido gritos vindos do imóvel.
Às 5h15, Miller ligou para um amigo e disse: “Me perdoe, não há como voltar atrás agora”. Em outra ligação, mostrou pelo celular o corpo de Bruna deitado sob cobertores.
A polícia irlandesa, conhecida como Garda Síochána, foi acionada por volta das 6h30 e encontrou Bruna desacordada no local.
Segundo o promotor do caso, Miller afirmou à polícia que a ex-namorada teria iniciado uma agressão. Ele disse que tentou contê-la com um movimento que teria visto em filmes e que os dois caíram entre a cama e a mesa durante a briga. Ainda de acordo com o relato, o brasileiro afirmou que “lutaram como homens” e que queria que o confronto acabasse.
