Empresário baiano e familiares são expulsos de avião em Paris após confusão em classe executiva da Air France; entenda
Por Leonardo Almeida
O empresário baiano Ivan Lopes e seus familiares relataram uma confusão envolvendo a classe executiva da Air France, em um voo entre a capital francesa e Salvador, nesta quarta-feira (14). O incidente, conforme relatado ao Bahia Notícias, resultou na expulsão da família — que incluía uma criança de 11 anos, a jovem Bruna, de 25 anos, e a esposa do empresário — determinada pelo comandante da aeronave.
Segundo informações obtidas pela reportagem, a família estava em viagem pela Itália, especificamente em Milão, e retornaria para Salvador com uma conexão no aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris. Originalmente, as passagens eram da classe “Premium Economy”, contudo, ainda em solo italiano, a companhia aérea ofereceu um upgrade para a classe executiva no valor total de 1.600 euros (equivalente à cerca de R$ 10 mil).

Recibo do upgrade | Foto: Acervo Pessoal
“Ela ofertou por um preço que cabia no orçamento e aí a gente optou por dar esse upgrade. O voo da Air France seria Milão, Charles de Gaulle e direto para Salvador”, contou Ivan ao Bahia Notícias.
Após aceitarem a proposta e chegarem ao aeroporto parisiense, os familiares foram surpreendidos no portão de embarque. Uma funcionária da Air France informou que o assento de Bruna “estava quebrado”, solicitando que ela retornasse à classe econômica. Diante da negativa da família, a comissária de bordo teria permitido a entrada de todos no avião, sob a justificativa de que “alguém poderia desistir” da viagem, liberando espaço para que a jovem permanecesse no setor executivo.
Ao entrarem na aeronave, no entanto, eles se depararam com um homem sentado no assento 7L, que estava reservado para Bruna e supostamente estaria avariado. O passageiro em questão seria, supostamente, um funcionário da própria Air France, realocado para aquela cadeira após seu assento original (o 5L) apresentar defeito.

Foto do bilhete de Bruna, com a sinalização do assento na aba "seat" no 7C Foto: Acervo Pessoal
“Não sei como ele sabia disso, mas o cara chegou para a gente e falou: ‘vocês fizeram um upgrade, eu já costumo viajar de executivo. Eu comprei, mas não vou discutir com você, bom ver com o comissário de bordo’. Ele até tentou ajudar a gente, mas era um participante do processo; estava em uma cadeira que não era a dele de origem”, explicou o empresário.
Em conversa com a reportagem, Ivan relatou que tentou dialogar com a equipe para encontrar uma solução, visto que o assento da filha, na realidade, não estava quebrado, mas ocupado. Bruna, fluente em inglês, assumiu os diálogos, mas foi surpreendida pelo comandante do voo, que teria chegado gritando e colocando o “dedo no rosto” da jovem de 26 anos.
Vídeos gravados por outros passageiros mostram o momento em que o comandante toma o bilhete das mãos de Bruna, afirmando que expulsaria toda a família caso persistissem em ocupar o assento. Em certo momento, o responsável pela aeronave também teria tentado tomar o celular de Bruna para que ela apagasse os registros da situação. Outra passageira relatou ter sido obrigada a remover vídeos de seu próprio aparelho para poder prosseguir viagem.
Confira algumas imagens:
Após o agravamento da discussão, a polícia francesa foi acionada e, depois de cerca de uma hora de impasse, retirou os quatro passageiros da aeronave. Já na parte interna do aeroporto, as autoridades recomendaram, de forma pacífica, que a família não abrisse um Boletim de Ocorrência naquele momento e buscasse a agência da Air France para viabilizar um novo voo para Salvador ainda no mesmo dia.
O RETORNO
Ao chegar à agência da companhia, o empresário foi informado de que a empresa poderia encaixá-los em um novo voo, desde que eles arcassem com todos os custos da operação, comprando novas passagens.
A funcionária teria alegado estar ciente do incidente e afirmou que, em razão do atraso de uma hora no voo original, a família teria causado “prejuízos à companhia”, o que impediria o remanejamento gratuito dos bilhetes. Todavia, ao consultar o site FlightAware, o Bahia Notícias verificou que o voo aterrissou em Salvador às 16h47, dentro do horário previsto inicialmente.
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Diante do impasse, Ivan Lopes foi orientado por seu advogado a comprar passagens em outra companhia aérea. Ele conseguiu embarcar no mesmo dia, chegando a Salvador na manhã de quinta-feira (15).
Ao BN, o empresário afirmou que, além do abalo emocional, a situação gerou um prejuízo financeiro próximo aos R$ 100 mil. Ele confirmou que irá processar a Air France, solicitando o reembolso de todos os gastos e indenização por danos morais.
A reportagem procurou a Air France via e-mail para obter um posicionamento oficial, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O Bahia Notícias segue acompanhando o caso.
