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Após denúncia, dono do Show Bar nega homofobia, aponta conflito por cobrança e diz que acionará a Justiça

Por Ronne Oliveira / Paulo Dourado

Imagem do bar ao lado do DJ que acusa o estabelecimento
Foto: Reprodução / Google Street View

Após a denúncia feita pelo DJ e produtor cultural Jamil Godinho sobre supostos episódios de homofobia e agressão física no Show Bar, no Rio Vermelho, na capital baiana, ainda neste sábado (03). O proprietário do estabelecimento, José Alfaya, apresentou uma versão diferente dos fatos ao Bahia Notícias (BN). Segundo ele, houve um conflito no local, mas motivado por uma cobrança financeira que não seria de sua responsabilidade direta.

 

Em entrevista ao BN, Alfaya afirmou que o DJ não integrava o quadro fixo de artistas da casa e atuava como substituto eventual, indicado por DJ's residentes do estabelecimento, responsáveis por organizar as noites e intermediar os pagamentos.

 

Conforme a versão do empresário, o episódio começa quando Jamil Godinho o abordou para cobrar valores referentes a apresentações anteriores. “Depois que ele parou de tocar, desceu e começou a me procurar. A casa estava cheia, era sábado. Ele me pegou pelo braço e disse que eu devia 11 datas. Eu respondi que não tinha relação comercial com ele e que não devia ninguém”, conta.

 

O dono do bar alegou ainda que existe um intermediário responsável pelos pagamentos aos DJ's e que não mantém vínculo financeiro direto com os artistas que se apresentam de forma eventual. Na versão de Alfaya, diante da confusão, um dos seguranças interveio para separar as partes.

 

“O segurança pediu para eu voltar para dentro, porque ele tinha [me puxado para fora], ele desceu a escada, catou no meu braço e disse 'preciso falar com você' e me levou para fora, tomei um choque na hora, eu disse 'não conheço você'. Depois disso, ele começou a cobrar pagamentos de "11 datas" e se exaltar, dizendo que ia pegar o equipamento”, relata.

 

O empresário disse que o DJ não foi autorizado, que ele estava alcoolizado e alterado para retornar ao interior do estabelecimento e que outro segurança recolheu os equipamentos e os colocou sobre uma mesa. Ainda segundo ele, o DJ teria provocado tumulto no local.

 

“Ele fez um escândalo, começou a gritar desesperadamente. Disse que de fato queria pegar o equipamento, foi quando ele queria filmar, dizia que ia se jogar no chão. Foi quando o segurança o conteve e pediu para que aguardasse o equipamento voltar que uma pessoa ia pegar”, disse.

 

Alfaya negou as acusações de homofobia e afirmou que testemunhas presenciaram o episódio. “Para mim foi uma surpresa. As pessoas que estavam do lado de fora viram o que aconteceu. Não houve homofobia. Temos clientes e amigos gays de [diferentes perfis], nunca tivemos qualquer problema com isso”, ressalta. 

 

“Eu respondi que não tinha relação comercial com ele e que não devia ninguém. Existe um intermediário responsável por isso”, relembra. O empresário informou ainda que pretende reunir provas e testemunhas para apresentar à Justiça.  

 

A VERSÃO DO DJ
Procurado pelo Bahia Notícias, o DJ Godinho apresentou uma versão diferente do ocorrido. Segundo ele, a tentativa de conversar sobre os pagamentos aconteceu antes do fim da apresentação e teria sido feita de forma pacífica.

 

“Ele perguntava ‘quem é você?’ e começou a se exaltar. Quando falei que ele me devia cerca de '10 datas em aberto', ele ficou indignado, começou a gritar que não devia nada e não me deixou mais entrar”, relata.

 

O artista, que se identifica como integrante da comunidade LGBTQIA+, alega que tentou retornar ao local apenas para recolher seus pertences, mas conta ter sido alvo de ofensas homofóbicas e agressão física. “Eu só queria entrar para pegar minhas coisas. Houve ofensas [ele me chamou de vi***nho], e um segurança me deu um soco no tórax. Depois disso, peguei um Uber chorando. O motorista me levou à delegacia mais próxima”, detalha.

 

Confira abaixo a postagem do DJ que acusa o estabelecimento de homofobia:

 

Ainda conforme o relato, ao tentar registrar a situação com o celular, o aparelho teria sido tomado por outra pessoa e arremessado ao chão. “Peguei o celular para gravar e ter provas, mas uma pessoa tomou meu telefone e jogou no chão”, detalha.
 

Registros do estado físico do telefone após o conflito | Foto: Reprodução / Redes Socias

 

PAGAMENTOS QUITADOS
Durante a apuração, o Bahia Notícias entrou em contato com o DJ residente responsável pelos pagamentos dos artistas, que preferiu não se identificar. Ele confirmou que havia pendências com datas previstas para pagamento, mas negou que fossem no volume citado por Jamil Godinho.

 

Segundo o responsável, o sistema de pagamentos havia sido alterado recentemente, passando de quinzenal para semanal. Ele informou ainda que o DJ recebeu um pagamento na sexta-feira (2) e que os valores pendentes foram quitados ao longo deste domingo (4), mesmo não sendo a data combinada.

 

“De fato, sou eu quem responde pelos pagamentos. Houve pendências, mas não nessas proporções. Não existiam 10 datas em aberto. Isso não procede”, conta. O intermediário disse que não estava presente no momento do conflito e classificou o episódio como um problema de comunicação.

 

“Para mim, foi um erro claro de comunicação. Esse tipo de assunto não se resolve no meio da noite. Na noite, a gente trabalha e vai embora. Pagamento se conversa com calma, sentado. Todo mundo está cansado, às vezes bebendo, não é o momento. Nunca foi dito que ele não receberia. Às vezes há pendência, mas eu sempre pago. Não se trata de não receber, e sim de algo que poderia ter sido conversado”, conclui.

 

O Bahia Notícias segue acompanhando o caso. As autoridades da polícia civil devem investigar o caso com rigor, podendo analisar imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas para esclarecer os fatos. O espaço permanece aberto para novas manifestações.