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Câmara pode votar versão “intermediária” do PL da Anistia mantido em sigilo antes do recesso

Por Redação

Câmara pode votar versão “intermediária” do PL da Anistia mantido em sigilo antes do recesso
Foto: Mário Agra / Câmara dos Deputados / Arquivo

Antes mesmo do recesso parlamentar, previsto para a segunda quinzena de julho, a Câmara dos Deputados pode votar um texto alternativo do chamado Projeto de Lei da Anistia, que prevê o perdão a parte dos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

 

A proposta, ainda em construção, está sendo discutida de forma reservada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A promessa de pautar o tema neste semestre foi feita ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas a versão que pode ir ao plenário deve ser mais moderada do que a apresentada inicialmente pela base bolsonarista.Segundo interlocutores, Motta tem trabalhado uma redação que atenda parcialmente à oposição, sem provocar um confronto direto com o Judiciário.

 

A principal mudança em discussão é a anistia para condenados que já tenham cumprido pelo menos um sexto da pena, mesmo que a legislação já permita a progressão de regime nesse caso. A diferença é que o projeto buscaria extinguir a condenação, promovendo um perdão formal pelos crimes cometidos.

 

A construção do texto tem ocorrido sem a participação direta do PL, o que revela o cuidado do presidente da Câmara em evitar ruídos institucionais. A medida também tenta balancear os interesses da direita com a necessidade de preservar o equilíbrio entre os Poderes.

 

Nos bastidores, Motta avalia entregara relatoria da proposta a um líder de centro, com peso político, mas fora dos polos ideológicos. A movimentação visa garantir maior aceitação entre os deputados e construir um caminho viável também no Senado Federal, onde o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) tem sido parceiro estratégico nas votações prioritárias do Congresso.

 

A proposta de anistia foi, inclusive, a única exigência formal do PL para apoiar Hugo Motta na eleição à Presidência da Câmara. No entanto, desde então, o parlamentar vinha adiando a votação da urgência, que levaria o projeto diretamente ao plenário, numa tentativa de ganhar tempo e evitar desgastes junto ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

 

A possibilidade de votar o texto antes do recesso volta a circular após café da manhã realizado no mês passado entre Motta e parlamentares da oposição. Deputados pressionaram pela inclusão do projeto na pauta como forma de aceno à base bolsonarista. A avaliação é de que, sem um acordo prévio com Alcolumbre para garantir a tramitação no Senado, a votação na Câmara não ocorrerá.