Para Sílvio Humberto, prefeitura tenta "desafricanizar" a cidade e fila da SEMOP é uma demonstração
Por Gabriel Lopes / Bruno Leite
O vereador Sílvio Humberto (PSB) voltou a falar, nesta quinta-feira (2), sobre as longas filas enfrentadas por ambulantes que buscavam o credenciamento para festas populares da capital baiana no início da semana. Segundo ele, a problemática é "indigna" e coloca em prática uma visão de "desafricanização".
"Aquela fila indigna da SEMOP [Secretaria Municipal de Ordem Pública] é um absurdo. Uma gestão que se diz de excelência, uma cidade que faz um Carnaval chamado de maior do planeta e você trata daquela forma as pessoas que fazem o Carnaval", criticou o socialista durante entrevista ao Bahia Notícias.
A condição em que as pessoas foram submetidas, alegou o membro do Legislativo soteropolitano, lembram posturas praticadas na virada do século XX, quando o então governador do estado, José Joaquim Seabra, propunha "desafricanizar as ruas" da cidade. "A gente só mudou agora a forma", comparou.
Sugerido pela gestão como uma solução para as aglomerações vistas todos os anos na porta do órgão municipal, o cadastramento online foi rechaçado por Sílvio Humberto. "Solução é você tratar dignamente. Se não tem cadastramento online, onde você vai buscar? Estagiários. Por que não se usa o Centro de Convenções?", atentou.
Para ele, que atua junto aos trabalhadores da festa momesca e de entidades carnavalescas como o bloco Olodum, não há um problema técnico e sim uma escolha política para que "a indignidade daquelas pessoas" permaneça.
