Colombiano naturalizado em Salvador, Nelson Cadena relembra início clandestino da Festa de Iemanjá
Por Francis Juliano / Bruno Leite
Há 50 anos na Bahia, o escritor e jornalista colombiano Nelson Cadena tem muita história para contar sobre suas vivências em Salvador. Tanto é que se define como um "colombaiano". Presente no centenário da Festa de Iemanjá, realizado neste 2 de fevereiro, ele lembrou, em conversa com o Bahia Notícias, sobre o início do festejo e o caráter clandestino do evento nos idos de 1923.
"Essa Festa de Iemanjá se tornou uma das festas mais simbólicas, importantes e representativas da baianidade. É uma festa muito antiga que está completando 100 anos em 2023", comemorou o "quase-baiano".
A marca só foi possível, conta Cadena, através do relato de um construtor de jangadas do Rio Vermelho que atendia pelo nome de Zequinha. Foi através do testemunho do artífice que ficou registrado na historiografia local a entrega do primeiro presente à Rainha do Mar por pescadores da região.
"Esse primeiro presente foi clandestino, porque na época existia muita restrição a tudo que tinha a ver com terreiro de umbanda, de candomblé, ou qualquer manifestação que fugissse desse contexto. Era questão de polícia", explicou o autor.
O agigantamento da Festa de Iemanjá, que reúne milhares de curiosos, turistas e baianos de toda a parte do estado, foi um dos pontos destacados por Nelson. "Chegamos aqui, em 2023, com uma festa grandiosa, muito tranquila, com vários elementos da história", ressaltou, comparando o momento atual com o passado.
