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Flávio Dino diz que Ibaneis cometeu “erro político” ao nomear Anderson Torres como secretário

Por Redação

Flávio Dino diz que Ibaneis cometeu “erro político” ao nomear Anderson Torres como secretário
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), avaliou neste sábado (14) a decisão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de nomear Anderson Torres – ex-ministro do governo Bolsonaro (PL) – como secretário da Segurança Pública.

 

De acordo com Dino, a escolha de Ibaneis por Torres foi um “erro político”, devido aos indícios de ação ideológica bolsonarista durante sua gestão no Ministério da Justiça, mas não necessariamente um crime.

 

"Os antecedentes [de Torres] eram muito ruins. Então, o que eu posso afirmar é que, no mínimo, houve um erro político do governador Ibaneis. Isso é crime? Eu não sei, não posso antecipar a investigação", disse Dino, em entrevista à Globo News.

 

Como "antecedentes" de Torres como ministro da Justiça, Flávio Dino citou o bloqueio de estradas no Nordeste por parte da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia do segundo turno das eleições; a abertura de investigações no Ministério sobre institutos de pesquisa; e a tentativa de instrumentalizar politicamente a Polícia Federal (PF).

 

"Nos dias que antecederam aos eventos do dia 8, eu falei não apenas com o governador Ibaneis. Falei com o governador de São Paulo, Tarcisio [de Freitas, ex-ministro de Bolsonaro], com o governador do Rio, Claudio Castro [aliado de Bolsonaro]. E lá, as polícias militares agiram", relatou o ministro.

 

Dino também rechaçou a hipótese de que forças federais de segurança – como a própria PF, o Exército e o Batalhão da Guarda Presidencial – também teriam falhado no enfrentamento ao grupo de bolsonaristas radicais envolvido nos atos de terrorismo.

 

Segundo ele, a PF não podia ter atuado na Esplanada dos Ministérios contra os golpistas, pois ela não se trata de uma polícia ostensiva. A Constituição, no seu artigo 144, dá à PF funções como "apurar infrações penais contra a ordem política e social" e "prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas".

 

O mesmo artigo estabelece que "às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública".

 

Para Dino, entretanto, os atos terroristas ocorridos nas sedes dos três Poderes eram totalmente evitáveis por parte do governo do Distrito Federal.

 

"Quando ocorre a intervenção federal no meio da tarde do domingo, com os eventos já acontecendo [...] a Polícia Militar assume a situação sob o nosso comando e rapidamente controla a situação. Na prática, a situação era absolutamente evitável, absolutamente controlável", declarou o ministro.