Laina sinaliza em favor do PSOL integrar governo Jerônimo e defende diálogo para que o partido não rache
Por Bruno Leite / Lula Bonfim
A vereadora Laina Crisóstomo (PSOL) sinalizou, na tarde desta quarta-feira (21), em favor da possibilidade do seu partido integrar o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) a partir de 1º de janeiro de 2023. A parlamentar reconheceu que a aliança com os petistas na Bahia não é consensual na legenda, mas revelou que a questão será definida em uma votação da executiva estadual do PSOL nos próximos dias.
“O PSOL é uma grande pizza, em que nós temos várias forças políticas internamente. A decisão nacional, lógico, interfere nas decisões dos estados, não só da Bahia. A orientação é: não vai haver nenhuma punição aos filiados que compuserem governos do PT – tanto federal quanto estadual. Mas precisa haver um licenciamento. Por exemplo: um dirigente que hoje compõe a executiva do partido precisa se licenciar se quiser assumir algum cargo”, explicou Laina.
Segundo a parlamentar, uma ala “extremamente esquerdista” do PSOL seria a responsável por afastar o partido de uma aliança com o PT na Bahia. Entretanto, Laina acha que é importante ocupar espaços no governo e ajude a construir o projeto de governo para os baianos nos próximos quatro anos.
“O debate da gente é, nacionalmente, não construir oposição ao governo Lula. Eu acho que isso é muito forte. Infelizmente, ainda existe um campo do PSOL que ainda é extremamente esquerdista, e entende que não quer e não precisa ocupar [espaços nos governos]. Para nós, é uma perda não compor enquanto bloco de partido, porque isso demonstraria força para a gente”, defendeu a vereadora.
Laina ainda aproveitou a boa relação entre os partidos de esquerda na Câmara Municipal de Salvador como um argumento a favor da aliança inédita na Bahia entre PT e PSOL, lembrando que, a partir de 2023, será ela a líder da oposição na casa dos vereadores.
“A sinalização que a gente constrói aqui na Câmara Municipal de Salvador é sobre como a gente quer construir uma frente de esquerda. Pela primeira vez, o PSOL compõe uma bancada de oposição ampla: PT, PCdoB, PSB e PSOL. Teremos a liderança da oposição mesmo sendo um partido de apenas uma cadeira. Isso, para nós, é uma sinalização”, disse Laina.
A vereadora ainda explicou que, na próxima reunião do diretório estadual, tentará construir uma decisão “mais consensual” em favor da participação do PSOL no governo de Jerônimo, apostando sobretudo na adesão programática, sem vinculação necessária a cargos.
“Para nós, o debate não é sobre cargos, é sobre programa. Então, quando a gente decide apoiar no segundo turno, o debate foi sobre o programa. A gente entregou uma carta a Jerônimo com 23 pontos do que a gente entende de projeto e de política a ser construída na Bahia. Por isso a gente teve candidatura própria no primeiro turno. Ainda tem votação no diretório da executiva estadual para fechar isso, mas o debate está acontecendo, assim como nacionalmente. Já existem ventilados nomes que podem compor a estrutura de governo de Lula e também na Bahia essas construções têm acontecido”, disse Laina.
A parlamentar lamentou a demora do PSOL em se decidir sobre o apoio e apontou que “os espaços estão sendo ocupados” no Governo Jerônimo. Porém, para Laina, é necessário compreender “o tempo do partido”, para que a legenda não rache.
“Na política, a gente diz: não existe espaço vazio. Os espaços são ocupados. A gente quer continuar o diálogo. Não é sobre cargos apenas, mas a gente entende que as coisas estão muito avançadas. Os nomes estão saindo e, provavelmente, amanhã saem quase todos. Dos 25 secretários, já saíram 11. Já existe um debate, há outros nomes sendo ventilados, mas a gente também entende que é o tempo do partido, para a gente entender de que forma a gente não rache entre nós”, concluiu a vereadora.
