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“A negociação permanece”, afirma Haddad mesmo após decisão de Gilmar Mendes sobre Bolsa Família

Por Nicole Angel, de Brasília

“A negociação permanece”, afirma Haddad mesmo após decisão de Gilmar Mendes sobre Bolsa Família
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que a negociação pela PEC da Transição seguirá mesmo após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que o Bolsa Família pode ficar fora do teto de gastos em 2023.

 

"A negociação permanece, porque é importante para o país apostar na boa política, na negociação, na institucionalidade para dar robustez para a política econômica que vai ser anunciada e que vai aplacar os ânimos e mostrar que o Brasil vai estar no rumo certo a partir de 1º de janeiro. Então, nós vamos continuar na mesa discutindo o que é melhor para o país. Isso dá conforto para os beneficiários do Bolsa Família”, declarou Haddad.

 

Sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes, o futuro ministro da Fazenda apenas disse que seguirá com o “plano A”, pois é o que “dará robustez e indicará um caminho”.

 

"Nós vamos tomar medidas logo no começo do ano para resolver o rombo que foi herdado desse governo. Uma irresponsabilidade durante o processo eleitoral absurda, que nunca se viu na história desse país. E nós vamos tomar as providências para aplacar isso, para resolver isso. Mas é importante que as famílias de baixa renda, que dependem desse complemento, dessa transferência de renda, saibam que elas vão poder estar tranquilas em relação aos próximos anos, e que o programa criado pelo presidente Lula permanece no alto das nossas prioridades”, pontuou.

 

DECISÃO STF

Neste domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, decidiu autorizar a retirada de recursos para pagamento de benefícios de renda mínima do teto de gastos. A decisão facilitará que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pague o Bolsa Família de R$ 600 (lembre aqui).

 

Gilmar acatou pedido da Rede Sustentabilidade, que argumentava que o valor se enquadra no “mínimo existencial” defendido pela Constituição para o povo brasileiro. O ministro fixou que o espaço para pagar o benefício pode ser garantido por meio de abertura de crédito extraordinário.

 

O pagamento seria possível, de acordo com o ministro, devido ao espaço fiscal aberto com a aprovação de novas regras no pagamento de precatórios.

 

A decisão chega em um momento de dificuldades do governo eleito para aprovar a chamada PEC da Transição na Câmara dos Deputados. Além da verba para o pagamento do auxílio, a proposta também pretende recompor o orçamento de diferentes ministérios, fora do teto de gastos.