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Integrantes de grupo bolsonarista baiano tentam desvincular presidente dos protestos

Por Redação

Integrantes de grupo bolsonarista baiano tentam desvincular presidente dos protestos
Foto: Reprodução/Telegram

Membros do grupo Dois de Julho no Telegram, utilizado por eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL) para organizar atos de apoio na Bahia, passaram a adotar posturas que possam desassociar a imagem do candidato derrotado aos protestos que estão sendo articulados contra o resultado obtido nas urnas no último domingo.

 

Diversas mensagens com orientações nesse sentido foram observadas pelo Bahia Notícias desde que as manifestações começaram a ser realizadas em todo o Brasil. As primeiras, um dia após a votação, convocava pessoas para irem as ruas sob a justificativa de que assim as Forças Armadas iriam ser acionadas.

 

Conteúdos com teor antidemocrático e que contestavam a legitimidade das urnas eletrônicas. Algumas delas acusavam o Poder Judiciário e outras instituições de conduzirem uma fraude no processo eleitoral.

 

"Por que vocês não estão arrigimentando a galera para uma manifestação?", questionou um dos usuários do aplicativo, identificado como Antônio Valinho, ao propor a participação dos outros integrantes. Em resposta, o administrador do grupo afirmou ser oportuno agitar os demais, além de convidar políticos aliados para também defenderem a pauta.

 

O deputado federal eleito Capitão Alden (PL) e o deputado estadual Soldado Prisco (PSC), membros do grupo, foram provocados por um dos membros, que se identifica na plataforma como Gleiber Henrique. "O que os senhores têm em mente para tal situação, acham válido essa ação de irmos para as ruas como outros estados estão fazendo?", perguntou o rapaz, que não foi respondido por nenhum dos parlamentares.

 

"Não usem o nome 'intervenção militar', tem que usar 'resistência civil', avisem outros grupos", disse um dos participantes, Cristian Moreira, na primeira mensagem com recomendações.

 


Foto: Reprodução/Telegram

 

Ainda no dia 31, outra recomendação contestava a utilização de termos que não contemplassem uma participação militar. "Aos que questionam o termo 'intervenção militar', não se enganem, uma mera resistência civil não faz nada. Sem apoio militar não conseguimos resultados de verdade", ponderou. 

 

"Tenho palpites de que os começaram com isso de se limitar a uma "resistência civil" foram petistas infiltrados", acusou o mesmo usuário, salientanto estar investigando a questão e pedindo cuidado com "infiltrados".

 

Num segundo momento Gleiber Henrique voltou a se pronunciar e sugeriu que Bolsonaro estivesse "acuado" para não atrapalhar a movimentação. "Se ele reconhece o que aconteceu na eleição estaremos derrotados, se ele inflamar o povo será o grito de golpe que a esquerda tanto quer dar. Agora é com a gente", disparou, revelando a intenção de promover estado de sítio.

 

Compartilhando registros de manifestações em diversos lugares do país, as conversas dão conta de uma impossibilidade de Jair Bolsonaro apoiar de forma pública as paralisação. Um pronunciamento, convocado para o dia 29/10, um dia antes da eleição, foi usado como argumento pelos participantes do grupo Dois de Julho.

 


Foto: Reprodução/Telegram

 

A primeira convocação para um protesto na frente de uma unidade das Forças Armadas em Salvador, no Quartel da Mouraria, no Centro, na manhã desta terça-feira (1), aconteceu ao final do dia. Foi postado um card que prometeu paralisar a cidade.

 

Um suposto áudio do deputado Daniel Silveira (PTB) foi divulgado no grupo por uma usuária que se denomina como Cláudia Letícia. "Aos milhões, a maior manifestação da história. Entendam o recado, façam crescer o movimento. Vocês só têm que fazer isso agora", diz o conteúdo da mídia veiculada.

 

Na manhã de hoje, a primeira recomendação mais incisiva de proteção da imagem de Bolsonaro foi repassada ao Dois de Julho. "Não pode camisa com fotos ou o número do presidente, para que não seja invalidado a nossa manifestação. Nosso pedido não pode ser o artigo 142 [da Constituição] ou intervenção militar". 

 

"Persistir por mais de 72 horas. Não podemos falar o nome do Bolsonaro para não prejudicá-lo. A manifestação tem que ficar clara que não é porque o Bolsonaro perdeu e sim porque não queremos um ladrão no governo. Isso é para não perdermos o Bolsonaro e não tornar inválida as manifestações", alega a lista, que encerra com as expressões "Deus, pátria e família", as mesmas usadas pelo Movimento Integralista no Brasil. Ela foi replicada outras vezes.

 


Foto: Reprodução/Telegram

 

Mais tarde, com a manifestação no Quartel da Mouraria em curso, uma mensagem alerta, para um participante que foi fotografado usando uma camiseta com a imagem de Jair Bolsonaro, para retirá-la. "Gente, pelo amor de Deus, avisa a esse rapaz com a camisa do Bolsonaro para tirar", alertou.

 

"Não pode ter nada, não pode ter nome do presidene, foto ou música de campanha", reforçou uma mulher que usa o nome de Rita Rocha no Telegram.

 

Uma postagem feita pelo ex-vereador de Salvador, Cezar Leite, também foi replicada. O conteúdo convida os apoiadores para um segundo dia de manifestação em frente ao Quaertel da Mouraria, nesta quarta-feira (2).

 

Netinho, cantor de Axé Music, foi um dos apoiadores que encorajaram a situação. Numa mensagem distribuída pelo seu canal no Telegram e encaminhada para o grupo Dois de Julho ele diz que os participantes de atos não devem citar o artigo 142, o nome ou o número do atual presidente da República nas eleições.