Roma despista sobre adiar eleição e ataca Moraes: 'Cicatriz no coração dos brasileiros'
Por Gabriel Lopes
Em meio a informações de que o presidente Jair Bolsonaro (PL) teria considerado propor um adiamento das eleições do próximo domingo (30), pelo segundo turno, o deputado federal e ex-ministro da Cidadania João Roma (PL) afirmou que não foi consultado e não ouviu indicativos sobre a movimentação. Roma é aliado de primeira hora do presidente e chegou a disputar o governo da Bahia no primeiro turno na esteira do capital político de Bolsonaro. Ele terminou o pleito com pouco mais de 9% dos votos dos baianos.
"Não. Eu estive com o presidente anteontem, eu vejo com muita preocupação isso que tem ocorrido. Realmente está tomando uma proporção inimaginável o ativismo judicial no Brasil. É muito ruim para a democracia no Brasil, você está vendo se materializar o ativismo judicial, basicamente a partidarização de alguns integrantes do Judiciário em especial o senhor Alexandre de Moraes", comentou Roma em contato com o Bahia Notícias na manhã desta quinta-feira (27).
"Isso é muito ruim, motivo de preocupação para todos, por isso que não poderia, partindo do Tribunal Superior que é quem tem que garantir a lisura e transparência das eleições, esse tipo de conduta. Imagina você chegar na delegacia para reclamar que roubaram seu carro e o delegado em vez de querer informação para recuperar seu veículo começar a querer lhe investigar, saber se o carro é seu mesmo. Está invertendo as coisas. Mas não fui consultado sobre isso não", acrescentou o deputado.
Nos bastidores, corre a informação que Bolsonaro tinha o desejo de convocar uma coletiva para radicalizar e chegou a cogitar pedir o adiamento da eleição. O presidente, no entanto, teria sido demovido da ideia por aliados políticos. Ele concedeu entrevista na noite desta quarta-feira (26) em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do TSE, de negar um pedido de sua campanha para investigar supostas irregularidades em inserções eleitorais por emissoras de rádio (leia mais aqui).
Os políticos teriam lembrado ao presidente que a eleição está em curso, que é preciso ter calma e que não há mudança significativa nas pesquisas que justificasse um discurso de ruptura. Os aliados ainda teriam deixado claro que, se Bolsonaro escalasse para essa proposta, pedindo adiamento das eleições, seria por sua conta e risco - não teria apoio de ninguém.
Ainda em conversa com o BN, João Roma comparou a situação a um jogo de futebol e disse que há um "sentimento de injustiça no coração dos brasileiros".
"O que está deixando é um sentimento de injustiça no coração dos brasileiros. Eu acho que o duro dessa história é um time entrar em campo e o juiz ser o ex-treinador da seleção adversária e em vez de utilizar ferramentas que possam trazer mais transparência e lisura ao processo - no futebol a gente tem o VAR - na Justiça eleitoral brasileira o juiz não permite o VAR e ainda está chutando a bola para o time adversário. Ele entrou em campo para fazer com o que o outro time tenha mais um jogador. Isso está deixando uma cicatriz no coração dos brasileiros", finalizou.
