Debate da Globo: D’Ávila ignora cotas e Tebet aperta Bolsonaro sobre Pantanal no 2º bloco
Por Lula Bonfim
O segundo bloco do debate da TV Globo iniciou com o presidenciável Felipe D’Ávila (Novo) ignorando completamente o tema sorteado para ele perguntar. Após o mediador William Bonner sortear a temática “cotas raciais”, o candidato escolheu questionar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre corrupção.
Em sua resposta, Lula passou rapidamente sobre corrupção, mas voltou para falar das cotas raciais e de reparação social às populações marginalizadas.
“A lei de cotas é o pagamento de uma dívida que o Brasil tem de 350 anos de escravidão. Ela permite que a gente recupere a possibilidade de enfrentar o racismo, o preconceito e a marginalização. Dar ao povo periférico a oportunidade de estudar, de ter direitos neste país”, afirmou Lula.
“Você não sabe o prazer que eu tenho de ter sido um presidente sem diploma universitário que tirou a universidade brasileira de 3,5 milhões de estudantes para 8 milhões de estudantes. Você não sabe o orgulho que eu tenho de saber que meninas da periferia, negras, filhas de empregadas domésticas, de faxineiros, de lixeiros, decidiram fazer engenharia, medicina, diplomacia. Essa é a coisa importante que nós temos que fazer: dar às pessoas que, durante tanto tempo não tiveram direito, o direito de ganhar cidadania. Nós fizemos isso”, continuou o petista.
Na réplica, D’Ávila voltou a ignorar o tema “cotas raciais” e falou apenas sobre corrupção e decisões equivocadas no setor econômico das gestões do PT.
“R$300 milhões foram devolvidos aos cofres públicos por um diretor da Petrobras. R$ 110 bilhões foi a conta deixada do rombo de Dilma Rousseff na eletricidade brasileira. É muito dinheiro. Eu acho que você deve pedir desculpas ao povo brasileiro pelo roubo no seu governo, pelo assalto que foi o seu governo”, disse Felipe D’Ávila.
Lula, então, voltou a falar sobre questões sociais, relembrando as políticas públicas de seus mandatos, entre 2003 e 2010.
O povo brasileiro quer que eu volte. Está com saudade de ter emprego, aumento do salário mínimo, de ter oportunidade de ter Mais Saúde, de Farmácia Popular, Brasil Sorridente, o Samu funcionando melhor, de ter acesso a especialistas neste país. É por isso que o povo quer que eu volte”.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Logo depois do embate entre D’Ávila e Lula, a senadora Simone Tebet (MDB) teve a oportunidade de perguntar ao presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre mudanças climáticas. Ela abordou o crescente desmatamento no Pantanal e na Amazônia durante a gestão bolsonarista.
“Candidato Bolsonaro, o seu governo foi o que mais deixou os nosso biomas, florestas, o meu Pantanal e a Amazônia queimarem, serem devastadas. O maior desmatamento dos últimos 15 anos. Ao invés de proteger as florestas e cuidar da vidas das pessoas, o seu governo cuidou e protegeu mineradores, invasores de áreas públicas e madeireiros. O senhor, nesse aspecto, foi o pior presidente da história do Brasil”, criticou Tebet.
Bolsonaro respondeu afirmando que já morou no Mato Grosso do Sul e conhece o Pantanal, negando que seu governo tenha responsabilidade nos fatores climáticos e no desmatamento dos biomas brasileiros.
“Não é verdade o que a senhora está falando aqui. Periodicamente, pega fogo na região. Mas nós temos, no Brasil, dois terços das nossas florestas preservadas, da mesma maneira de quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou. Nós somos um dos países, que agora está na décima economia do mundo, que menos emite gases e CO². Esse é o nosso Brasil. A senhora deve ter um pouco de noção do tamanho que é a nossa Floresta Amazônica. Ela equivale a uma Europa Ocidental. Como tomar conta disso tudo? No corrente ano, não tivemos notícias de incêndios nem no seu Pantanal nem na Floresta Amazônica”, disse o presidente da República.
A senadora lembrou que é integrante do agronegócio e que a produção do país está prejudicada devido à falta de ações do governo Bolsonaro contra a Amazônia e o meio ambiente.
“É impressionante. Mente tanto que acredita na própria mentira. O mundo virou as costas para o Brasil, porque o presidente apóia projetos que são verdadeiros retrocessos. Ele quer destruir a Amazônia. A Amazônia e o meio ambiente são vida e significam comida mais barata na mesa dos brasileiros. Eu sou do agronegócio. A falta de chuva em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul está fazendo com que a gente produza menos e a comida chegue mais cara na sua mesa”, analisou Tebet.
EDUCAÇÃO
O terceiro tema sorteado foi “Educação” e o candidato Padre Kelmon (PTB) escolheu perguntar ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT). O suposto sacerdote religioso afirmou que as universidades brasileiras estavam dominadas pelo esquerdismo e sugeriu que faculdades públicas sejam pagas. Ciro discordou.
“A Colômbia, que é um país muito mais pobre que o Brasil, garante 42 vagas para cada grupo de garotos de 18 a 25 anos. O Brasil só dá 18 vagas. Portanto, o último lugar onde a classe média, obrigada a pagar dobrado para viver, tem algum retorno do estado brasileiro é a universidade pública. Eu quero é expandir. Eu estou me comprometendo a transformar a educação pública brasileira numa das 10 melhores do mundo em 15 anos”, afirmou Ciro.
“Do jeito que o povo está cansado de sonhar e ser enganado, eu preciso dizer um pouco mais: isso já está acontecendo no Ceará. Um dos estados mais pobres do Brasil já tem hoje 87 das 100 melhores escolas públicas do Brasil. Todas são gratuitas e perseguem o melhor padrão que houver de ensino para o filho do pobre, que é a única forma do pobre e da pequena classe média de mudar de classe”, continuou Ciro.
Padre Kelmon então voltou a falar sobre questões ideológicas na formação educacional brasileira e defendeu uma educação não laica, fincada no cristianismo.
“Educação de qualidade é quando você de fato passa a investir na criança, depois no adolescente e assim chega à vida adulta, para chegar na universidade e não virar militante de esquerda. Esse é o grande problema. As universidades hoje no Brasil viraram um ninho de pessoas que militam por ideologias que vão contra os valores, o cristianismo”, disse o candidato do PTB.
Na sequência do debate, os candidatos tiveram a oportunidade de falar sobre Combate Ao Racismo, Relação com o Congresso, Meio Ambiente e Emprego.
Falando sobre meio ambiente, Lula e Tebet evitaram se cobrar mutuamente e direcionaram as críticas a Bolsonaro. No tema Combate ao Racismo, Soraya Thronicke (União) preferiu enfrentar o Padre Kelmon sobre imposto único, ideia que ela também defendeu em conversa com Ciro na temática Emprego.
