Mercado automotivo regrediu muito no Brasil, segundo consultor e escritor Luiz José Pimenta
Membro da Associação Brasileira dos Distribuidores Ford e escritor do livro "Concorrência e lucro no mercado automotivo: Concorrência e lucro no mercado automotivo", Luiz José Pimenta avalia que a atual perspectiva do mercado automotivo brasileiro é a redução. Comparado a décadas anteriores, os números mostram diminuição nos gráficos de produção, decorrentes das crises que o setor tem enfrentado nos últimos anos, e dentre elas, a pandemia, que fez com que muitas montadoras fechassem as portas pelo país.
“O Brasil regrediu muito no setor automotivo. Em 1991, a China 2 milhões de automóveis. Hoje em dia é produtora de mais de 23 milhões de veículos. Neste ano acredito que o Brasil não chegará a produzir sequer 2 milhões de veículos. O nosso país, cada dia que passa, vem decaindo. Para você ter uma ideia, em 1983 o Brasil produzia em cerca 3,5 milhões de veículos. Com a crise automobilística, nós decaímos em 2019 para 2 milhões, com a pandemia descemos para 1,6 milhão. Por isso que você tem visto o fechamento de muitas montadoras”, rebateu.
Em seu livro, o escritor traz à tona sobre as questões que causam essas movimentações no mercado automotivo, suas crises decorrentes da década de 90 adiante, e o que de fato estava afetando um setor altamente rentável como o mercado de autos.
“A década de 90 estava passando por uma crise, então voltei para a universidade para descobrir o que estava acontecendo no mundo em si. Em 1992 você tinha uma margem de lucro desse setor de 19% a 20% que, com o tempo, foi descendo. Naquele momento eu queria entender o que estava acontecendo”, justificou.
Ao iniciar a sua análise, Pimenta notou que a redução estava acontecendo devido a solidificação da globalização, gerando assim o sucateamento de indústrias que vinham de fora e se espalharam pelo Brasil, influenciando diretamente o mercado mundial em sua produção.
“As fábricas, os processos, tudo estava se modificando, a globalização estava cada vez mais se solidificando. Naquela época, você montava uma indústria, a sucateava e trazia para cá. Isso influenciou para que a produção começasse a se tornar cada vez mais local [...] Gerando uma nova maneira de fazer carros, assim o mundo todo aprendeu essa nova dinâmica, que ficou”, relatou.
Outro motivo que ele traz é a baixa rentabilidade do setor, pois o mercado estava seguindo os passos em que a realidade se encontrava, a interferência dos juros e a dominação das marcas que se alastraram pelo segmento, gerou uma concorrência cada vez maior entre elas.
“Em 1990 a Ford, por exemplo, teve a margem de lucro de 13,6% . Até o ano 2000, a lucratividade mensal era 0,7% e ocorreu períodos que eles tiveram prejuízos gerais, fazendo com que a rede toda em 1992 fechasse naquele ano com o percentual negativo de -1,1%”, exemplificou.
Para Pimenta, o volume que se possui para produção no setor automotivo de hoje, o país deveria estar vendendo mais de 7 milhões de veículos. Porém essa diminuição também é causada por fatores como a redução exponencial das rendas, e o baixo crescimento do PIB, fazendo com que o mercado não tenha consumidores para comprar.
“O volume que hoje o Brasil tem devíamos estar vendendo 7 milhões de veículos, mas fatores como a oscilação do PIB, a população sem renda acaba por não comprar. Então, no máximo, o país deve fechar 2022 com 2 milhões de veículos”, comentou, descrente.
Nos próximos anos, o escritor acredita que a mudança desse cenário seja gradativa, pois o mercado brasileiro passa por mudanças na matriz energética. Há a tendência de crescimento na procura de veículos elétricos e híbridos em razão do aumento nos preços da gasolina.
“A perspectiva nossa do Brasil é que ele volte a crescer, para ele chegar ao nível de 2013 vai demorar uns 5 a 6 anos, para se produzir 4 milhões de veículos, isso porque depende da indústria e dos consumidores, pois se faltam carros não há componentes”.
