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Festejos juninos geraram retração de vendas de veículos, avalia Fenauto

Por Amanda Carolina

Festejos juninos geraram retração de vendas de veículos, avalia Fenauto
Foto: Divulgação

Levantamento divulgado pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) revela uma queda das vendas realizadas pelo segmento no mês de junho no comparativo com o mês anterior. De acordo com Enilson Sales, presidente da entidade, o processo de recuperação gradativa do mercado baiano acabou impactado pelos festejos juninos.

 

“O mercado nordestino historicamente é um mercado assim e fica menos aquecido para veículos por conta das festas juninas, que impõem uma série de ritmos para o setor, um maior deslocamento de pessoas que vão para o mercado aproveitar o período festivo em outras cidades, sítios, retraindo assim, a economia e grandes comércios”, explica. 

 

Não só os festejos. Essa redução se deve às constantes mudanças no cenário baiano, entre elas a pandemia. O diretor da Fenauto relatou que os últimos meses de 2020 foram os que obtiveram pior desempenho em vendas, em consequência da trajetória de retração do mercado daquele ano até outubro de 2021. Não bastando esse impacto no setor automotivo, a guerra entre Rússia e Ucrânia acrescentou mais um problema para os lojistas.

 

“Outubro, novembro e dezembro foram os piores meses de 2020 [...] Outros efeitos que contrapõem a reacomodação do mercado, foi a guerra da Rússia e Ucrânia, pois ela afeta significamente o fluxo de logística e entrega de peças do mundo inteiro. Sem contar a alta dos combustíveis, já que a Rússia é um grande fornecedor de combustíveis fósseis [...] A interrupção do fornecimento de combustível afetou o comércio europeu, em consequência  o comércio mundial.”

 

Sales explica que, além desses fatores que impactam o setor automotivo mundial, a cadeia é muito ampla, sem contar os desafios que se encontram no mercado brasileiro. De acordo com o presidente, essa condição mostra a dependência do país com o comércio exterior.

 

“O primeiro gargalo é a indústria montadora, pois o Brasil não fabrica todas as peças aqui. Ela recebe peças do mundo inteiro para fazer sua montagem, fazendo com que seja dependente da 'saúde' dos outros mercados principalmente o asiático.”

 

Sales pontua que o mercado brasileiro em geral é frágil em termos de capital, então acaba tornando-se novamente sujeito do setor financeiro, dada a elevação e diminuição de juros, resultando em um aumento no custo de capital. Esse acaba se tornando o segundo maior desafio do setor de autos no país.

 

“Ele depende muito da capital do sistema financeiro, então ele acaba se tornando refém dos ‘humores’ que ele passa, sobe e desce de juros, então o segundo desafio é de como baixá-los, assim como o custo de capital para fazer com que tanto as distribuidoras, concessionárias e lojas, recebam esse acesso. Isso acontece porque aqui no Brasil temos uma grande concentração do sistema financeiro, onde  nos Estados Unidos existem 1.600 instituições financeiras abastecendo o mercado automotivo de financiamento, aqui temos muito pouco entre quatro e cinco instituições, fazendo com que tenhamos problemas de custo”, lamenta.

 

O terceiro pilar, o consumo, se reflete no baixo acesso de crédito do brasileiro em decorrência da concentração do mercado e a falta de  controle do consumidor brasileiro no pagamento de dívidas. “A gente sabe que crédito é o motor do consumo no mundo inteiro não só aqui. Todavia temos uma característica que o nível de inadimplência no Brasil é muito alto comparado a outros lugares do mundo. O brasileiro não se preocupa em pagar suas contas como no resto do mundo”, critica.

 

Com esses desafios, Sales acredita que a reação do mercado a esses agentes externos tem sua própria reação, e para que esses três pilares possam ser resolvidos, o primeiro passo é atenuar essa recepção do mercado. “Não temos como construir ou direcionar 100%, ou um percentual muito alto do mercado, porém acredito que com muita criatividade, ações de marketing específicas que podem turbinar as vendas, o acesso ao comércio eletrônico e as ferramentas disponíveis no mundo virtual vão fazer com que o comércio possa se estender, estabelecer e acelerar”, conclui.

 

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