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Em dois meses, mais de 100 pessoas morreram em decorrência de ações policiais na Bahia

Em dois meses, mais de 100 pessoas morreram em decorrência de ações policiais na Bahia
Foto: Divulgação / SSP-BA

Ações da polícia baiana resultaram em 104 mortes entre os meses de janeiro e fevereiro de 2022, segundo levantamento feito pelo IDEAS Assessoria Popular. Os dados foram coletados de notícias disponíveis em sites de veículos de comunicação e se referem aos municípios da Região Metropolitana de Salvador (RMS), e as cidades com mais de 100 mil habitantes.

 

De acordo com a pesquisa, 60 óbitos ocorreram em janeiro e 44 em fevereiro. Do total das mortes, 103 vitimas eram do sexo masculino e uma do sexo feminino. Esta última, uma criança de 11 anos cuja família e a comunidade afirmam que foi vitima da letalidade policial.

 

Destes 55 ocorreram na Região Metropolitana e 49 nos demais municípios acima de 100 mil habitantes, com destaque para Salvador, que registrou 40 casos (38,5% do total), Feira de Santana com 10 casos (9,6%) e Vitória da Conquista com 15 casos (14,4%). Juntos os três municípios respondem por 62,5% da amostra colhida.

 

Ainda segundo o levantamento, no quesito raça/cor conforme nota metodológica a classificação é feita por heteroidentificação sempre que constam fotos das vítimas. Da amostra, 19 eram pretos/pardos, 1 branco e outras 84 não foi possível aferir por ausência de fotografias. O levantamento aponta que em  91 pessoas não tiveram a identidade conhecida no momento do crime.

 

O IDEAS reconhece que os dados encontrados não dão conta da totalidade dos números das mortes por intervenção policial nas cidades apuradas, mas que o estudo busca contribuir para uma política de segurança pública baseada em dados, e segue atualizando as informações divulgadas e coletando novas nos meses seguintes.

 

“Trata-se de uma tentativa de compreender a dinâmica da violência policial no estado, através de uma metodologia possível à sociedade civil. A SSP/BA possui a tecnologia para o processamento dessas informações com mais robustez, contudo tem se negado/omitido a disponibilizá-las”.