Gil quebra protocolo da ABL e economiza R$ 80 mil aos cofres de Salvador
O cantor e compositor Gilberto Gil quebrou um protocolo da Academia Brasileira de Letras (ABL) ao tomar posse da cadeira de número 20 da instituição, na última sexta-feira (8). O ato do ex-ministro fez com que a prefeitura de Salvador economizasse cerca de R$ 80 mil.
Ele, assim como a atriz Fernanda Montenegro, arcou com os custos para a confecção do próprio uniforme, o fardão. Bordado com fios de ouro que formam ramos de café em um tecido de cambraia verde-oliva, a vestimenta oficial da instituição, protocolarmente, seria bancada pela cidade de origem do "imortal" - no caso de Gil, a capital baiana.
Segundo a revista Fórum, em outros casos, quando as prefeituras não têm recursos para custear o fardão, quem financia a tradição é o estado natal do homenageado.
Tanto Gil quanto Fernanda trocaram o alfaiate oficial da ABL, Diógenes Cardoso, pelo estilista e figurinista fluminense Marcelo Pies. Além de poupar os cofres públicos (a cidade do Rio de Janeiro, no caso da atriz), eles pagaram um valor ainda menor na roupa, R$ 30 mil por cada. A alegação dos artistas foi de que suas cidades não poderiam ser oneradas numa época de pandemia, de acordo com a publicação.
Pies já tinha experiência em fazer fardões. Em março de 2018, para a posse do seu companheiro na Casa, o poeta e ensaísta Antonio Cicero, ele mesmo quem fez a peça.
Entre os imortais que quebraram o protocolo também está o escritor Ariano Suassuna, eleito em 1990. Ao invés de aceitar que a peça fosse feita pelas mãos "oficiais", ele contratou a costureira pernambucana Edite Minervina para cortar e costurar seu fardão, bordado por Cicy Ferreira.
O jornalista Roberto Marinho, o médico Ivo Pitanguy e o professor Cândido Mendes de Almeida também são conhecidos por terem custeado seus próprios uniformes.
