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SMS considera como 'atrasados' mesmo os que não se vacinaram após infecção pela Covid-19

Por Bruno Leite

SMS considera como 'atrasados' mesmo os que não se vacinaram após infecção pela Covid-19
Foto: Jefferson Peixoto/Secom PMS

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) diz que considera como atrasados todos os soteropolitanos que não se vacinaram contra a Covid-19 dentro do prazo, mesmo os que foram diagnosticados com a doença e não puderam tomar doses do imunizante no momento estipulado. 

 

De acordo com a área técnica da pasta da Saúde, até mesmo os não-vacinados com o dia de atraso já são considerados retardatários.

 

Questionada pelo Bahia Notícias sobre a possibilidade de notificação de casos, a SMS alegou que não faz esse tipo de cruzamento de dados, principalmente pelo alto número de pessoas com resultado positivo para a doença que não procuram os serviços de saúde.

 

Nesta quarta-feira (3), a gestão municipal da capital notificou um atraso no aprazamento da dose de reforço (3ª dose) de mais de 530 mil pessoas. Outros 13,2 mil dentro da faixa etária de 12 a 17 anos ainda não tinham ido até os postos de saúde montados na capital para tomar a primeira dose.

 

O número de cadastrados não vacinados com a primeira dose na faixa etária de 18 ou mais chegava a 14,1 mil, enquanto que os atrasados com a segunda dose somavam 189,4 mil.

 

VEREADORES SÃO CONSIDERADOS COMO 'ATRASADOS' PELA SMS'
Entre os "atrasados", onze vereadores foram identificados, segundo levantamento do BN junto ao sistema de informações utilizado como base pela prefeitura, o Vida+ (veja aqui). Eram eles: Alberto Braga (REP), Augusto Vasconcelos (PCdoB), Daniel Alves (PSDB), Débora Santana (Avante), George Gordinho da Favela (PSL), Henrique Carballal (PDT), Joceval Rodrigues (Cidadania), Laina Crisóstomo (PSOL), Paulo Magalhães Júnior (DEM), Sandro Bahiense (Patriota) e Sidninho (Podemos).

 

Deste número, três - Laina Crisóstomo, Augusto Vasconcelos e Daniel Alves - afirmaram não ter tomado por estarem com Covid-19 no dia estipulado para a aplicação da terceira dose e aguardam o cumprimento das 4 semanas pós-diagnóstico, aconselhadas como intervalo para casos de infecção pela doença. 

 

Justificando o status que consta no sistema, Vasconcelos afirmou que é um dos "principais defensores da vacinação", tendo projetos no Legislativo municipal que apontam nesse sentido. "Acontece que no prazo previsto para tomar 3ª dose, ele foi acometido de Covid pela 2ª vez e por orientação médica, só pode tomar a dose de reforço após 30 dias. Por isso não procede a informação de que ele estaria em atraso", afirmou o vereador em nota. 

 

Daniel Alves, que também aparece na lista, disse que foi diagnosticado com a Covid-19 no dia 3 de janeiro de 2020 e que segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). O edil garantiu ainda que tomará o antídoto na próxima segunda-feira (7).

 

"Sou defensor de que a população mantenha-se em dia com sua vacinação contra a Covid-19. Como vereador, preciso também estar atento quando as pessoas aptas a tomar a vacina estão impossibilitadas por outras questões, como foi meu caso, que tive Covid recentemente", disse Alves.

 

Assim como os colegas, a vereadora Laina Crisóstomo (PSOL) também afirmou que testou positivo para Covid recentemente, e após o período de quarentena, começou a contar o prazo de 30 dias para receber a terceira dose. "Não sou antivacina, isso é público. Tive influenza no início de dezembro e Covid-19 no início de janeiro, por isso não tomei a terceira dose, na próxima semana vou me vacinar. Eu deixei público nas minhas redes que tive Covid-19, fiz quarentena de 10 dias e precisei esperar passar esse prazo para então começar a contar os 30 dias", explicou.


Dois dos onze membros do quadro de vereadores de Salvador têm a terceira dose autorizada há mais tempo que as quatro semanas indicadas. A vereadora Débora Santana poderia ir até um dos postos montados pela SMS desde 01/12/2021, e Bahiense tem a dose de reforço permitida desde 29/11/2021.