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Salvador não prevê convênio com governo da Bahia para subsídio do transporte público

Por Gabriel Lopes

Salvador não prevê convênio com governo da Bahia para subsídio do transporte público
Imagem ilustrativa | Foto: Bruno Concha / Secom

Diferente do que será adotado em Manaus, no Amazonas, para garantir a gratuidade ao transporte de alunos das redes municipal e estadual após um convênio firmado entre governo do estado e prefeitura, Salvador segue aguardando recursos federais para cobrir algum tipo de gratuidade no sistema da cidade. No caso de Manaus, o convênio firmado terá valor de R$ 156 milhões em 2022, sendo R$ 120 milhões assumidos pelo governo do estado e R$ 36 milhões de contrapartida da prefeitura (leia mais aqui).

 

Segundo o secretário de Mobilidade de Salvador, Fabrizzio Muller, o prefeito Bruno Reis tem defendido a pauta em Brasília seguindo a lógica que os municípios na maioria dos casos não tem capacidade orçamentária para assumir subsídio.

 

Em conversa com o Bahia Notícias, o titular da Semob também citou outro exemplo, o caso de Belo Horizonte, que anunciou redução de 20 centavos no valor da principal tarifa de ônibus, de R$ 4,50 para R$ 4,30. "Veja que essa conta de Belo Horizonte ela dá algo em torno de R$ 140 milhões por ano, são R$ 14 milhões por mês. É algo que os orçamentos municipais não comportam", aponta Muller.

 

"O prefeito Bruno tem batido na tecla e tem feito essas idas a Brasília junto com a Frente Nacional dos Prefeitos justamente mostrando que o governo federal hoje que tem uma das maiores gratuidades que é a gratuidade do idoso, por exemplo, é uma gratuidade por lei federal. Então o justo seria exatamente o governo federal cobrir essa gratuidade, os municípios hoje não tem essa capacidade", acrescentou o secretário.

 

Em Belo Horizonte, o acordo feito pela gestão prevê que em contrapartida à redução e ao congelamento das tarifas de ônibus, a prefeitura vai pagar a passagem de quem tem gratuidade ou tarifa social e o valor será repassado todo mês para as empresa. A estimativa é que o valor gire em torno de R$ 12 milhões.

 

Ainda de acordo com Fabrizzio, a prefeitura de Salvador não prevê um convênio nesses moldes para subsídio, mas tem mantido discussões com o governo da Bahia em outras frentes. "Tem discutido um ajuste na tarifa de integração que ao nosso ver sempre foi equivocada e com essa modificação nessa tarifa de integração poderia acontecer exatamente que esse recurso a mais fosse justamente para mobilidade tarifária, para uma redução tarifária. Mas isso ainda não avançou", disse.

 

Nos últimos meses o prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), têm alertado para a possibilidade de aumento da tarifa de ônibus caso o governo federal não subsidie parte do serviço prestado. Em conversa com o BN na última semana, o gestor municipal afirmou que o valor pode subir até 15%, o que significaria que a passagem pode chegar a R$ 5,06 no pior cenário de reajuste (leia mais aqui).

 

De acordo com Bruno Reis, o contrato assinado pela prefeitura de Salvador com as empresas que executam o serviço prevê o reajuste, com um prazo para ser confirmado até maio de 2022. Segundo ele, outros municípios brasileiros vivem uma situação ainda mais delicada que a da capital baiana, com risco de reacender protestos como os que ocorreram em junho de 2013 em São Paulo.

 

"Por exemplo, em São Paulo, [a prefeitura] tinha que comunicar à Câmara [de Vereadores] ainda este mês e praticar o reajuste em janeiro. Vocês lembram daquelas cenas em 2013 do aumento de 20 centavos? Serão muito mais do que 20 centavos, se for praticar o que estabelece o contrato", comentou Reis.

 

A preocupação com o custeio do transporte público é generalizada nas gestões municipais de todo o país. Diversos prefeitos brasileiros foram a Brasília, em uma mobilização que, segundo Bruno Reis, teve como objetivo "sensibilizar o governo federal".

 

"Nós queremos um apoio de R$ 5 bilhões, para dividir com todos os municípios que têm transporte regular. A nossa proposta é que possa vir a título de subsídio para compensar a gratuidade do idoso e das pessoas com deficiência. E que a gente possa repassar esse recurso para o sistema, para evitar, em muitos casos, que tenha aumento neste ano ou que o aumento seja mínimo”, detalhou o prefeito.