Grupo de ex-funcionários pede que Embraer seja investigada por crimes na ditadura militar
A Associação Brasileira de Anistiados Políticos (Abap) enviou representação ao Ministério Público Federal (MPF) para que a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) seja investigada por colaborar com a ditadura militar no país e violar os direitos humanos de seus trabalhadores.
Conforme divulgou com exclusividade o Portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, a representação cita uma série de supostas violações cometidas pela Embraer durante o regime militar. À época, a empresa era vinculada à Força Aérea Brasileira (FAB).
Ainda de acordo com o documento, os agora ex-funcionários da empresa alegam que foram reprimidos e obrigados a trabalhar na presença de militares da Aeronáutica fortemente armados com metralhadoras e fuzis. Os trabalhadores também foram afastados e demitidos por justa causa após participar de greves, em 1983 e 1984.
Ainda de acordo com o Metrópoles, a petição argumenta que empresas estatais e privadas foram cúmplices em atos de tortura e de perseguição, contra empregados e sindicatos, praticados na ditadura.
A representação foi enviada na última quarta-feira (15) à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão vinculado ao MPF. Representada pelo advogado Carlos Nicodemos, a Abap pede a instauração de inquérito civil para apurar, investigar, responsabilizar e punir a Embraer pelas violações de direitos humanos.
Além disso, a associação requer o pagamento de uma indenização integral aos funcionários que tiveram os direitos violados. “Trata-se de uma apuração que, certamente, revelará muito do modo de operação e sustentação que parte do empresariado e de empresas estatais dirigidas por militares realizaram naquele período”, explica o advogado Aderson Bussinger, do escritório Aderson Bussinger Advogados Associados, que também representa os autores da denúncia ante o MPF.
“Tive a oportunidade e a honra de ter sido advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, tendo defendido centenas desses operários demitidos e perseguidos pela Embraer. E tenho muito claro o papel que desempenhou esta empresa, no contexto das demais empresas da região, como a GM, Panasonic, Engesa, que, juntas e coordenadas, atuavam organizando ‘listas negras’ de perseguição de ativistas. Enfim, agiam como braço civil do regime militar até a transição para o regime democrático na década de 1980″, completa.
