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Ciro Nogueira omitiu empresas à Justiça Eleitoral nas eleições de 2018

Ciro Nogueira omitiu empresas à Justiça Eleitoral nas eleições de 2018
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), omitiu pelo menos três empresas à Justiça Eleitoral nas eleições de 2018, quando foi eleito senador pelo estado do Piauí. As informações são do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

De acordo com a publicação, trata-se das empresas JJE Agenciamento de Seguros e de Serviços LTDA., Speed Marketing e Comunicações e Speed Produtora. Juntas, as companhias têm capital social no valor de R$ 135 mil. Ciro Nogueira também deixou de declarar à Justiça Eleitoral 12 filiais da CN Motos, que vende motocicletas e motonetas da Honda, mas advogados divergem se essa questão é ilegal, uma vez que a matriz foi apresentada na declaração.

 

O jornal Folha de S. Paulo revelou, na segunda-feira (20), que o moinistro usou uma das filiais da CN Motos não declaradas ao TSE para alugar uma mansão do advogado Willer Tomaz de Souza, em Brasília. O advogado afirmou não ver nada de ilícito na negociação e disse, ao Metrópoles, ser algo comum. Procurado, Ciro alegou que a Speed Marketing e a Speed Produtora foram “desativadas há vários anos” e o “corpo de funcionários foi transferido para a matriz da CN Motos”, que fica em Caxias (MA).

 

Sobre as filiais, o ministro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sustenta que a legislação não exige que sejam declaradas. Procurado desde quinta-feira (23/9), ele não se manifestou sobre a não declaração da JJE Agenciamento de Seguros e de Serviços. As duas empresas Speed têm, como endereço declarado, o mesmo de uma das filiais da CN Motos em Teresina, capital do Piauí.

 

Ao contrário do alegado pelo ministro, as companhias Speed Marketing e Speed Produtora continuam ativas na Junta Comercial. Em julho deste ano, a administração das duas empresas passou a ser exercida por Maria Eduarda Portela Nogueira Lima, de 24 anos, filha de Ciro com a deputada federal Iracema Portella (PP-PI), ex-esposa do ministro. O hoje senador afastado assina o ato.

 

Até então, as Speed eram administradas pela mãe do ministro, Eliane e Silva Nogueira Lima (PP-PI), que assumiu o lugar do filho no Senado Federal após ele se tornar ministro-chefe da Casa Civil. No pleito de 2018, a parlamentar piauiense também não declarou ao TSE ser sócia das duas empresas. Procurada, a assessoria dela não se manifestou.

 

A Speed Produtora, que tem como atividade principal a “produção de filmes para publicidade”, foi criada em setembro de 2012. O capital social da empresa é de R$ 100 mil, e Ciro Nogueira detém 94% das quotas, segundo informações da Junta Comercial do Piauí. Trata-se de uma matriz. A Speed Marketing, também matriz, tem capital social de R$ 20 mil e foi criada três meses depois da coirmã. Ciro tem participação também de 94%.

 

A JJE Agenciamento de Seguros tem capital social de R$ 15 mil e, igualmente, fica em Teresina. A administração é exercida por Judas Tadeu de Morais Matos. Também é sócio da companhia o deputado estadual do Piauí Júlio Arcoverde (PP), que já foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

 

Em sintonia com a legislação brasileira, Arcoverde declarou ser sócio da JJE Agenciamento de Seguros e de Serviços. No local, segundo registro do Google Maps feito em maio de 2019, o prédio tem placas da Porto Seguro, da Itaú Seguros e da Azul Seguros. Vizinhos disseram ao Metrópoles que no imóvel, hoje, há uma loja da MRV Engenharia.

 

A JJE Agenciamento de Seguros continua ativa, diz a Junta Comercial. No entanto, a última atualização foi feita em setembro de 2007, quando a administração da empresa passou a ser exercida apenas por Judas Tadeu. Cada um dos três sócios tem participação capital de 33,3%.