Leite aprova debate sobre voto impresso, mas nas mãos de Bolsonaro 'pode virar um risco'
Por Vitor Castro
O governador do Rio Grande do Sul e possível candidato à presidência da República nas eleições de 2022 pelo PSDB, disse neste sábado (17), durante entrevista coletiva para a imprensa baiana, não ser contra o debate sobre a possibilidade da mudança do modelo atual de votação do eletrônico para o impresso.
No entanto, seguindo o perfil crítico que tem adotado contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), revelou não confiar nas intenções do chefe do executivo nacional quando este defende a mudança no sistema eleitoral brasileiro.
O governador - que declarou voto à Bolsonaro na eleição passada, mas passou a adotar um tom crítico à gestão (veja) -, disse que se tratando do atual presidente, qualquer assunto 'pode virar um risco'.
"A confiança no processo eleitoral é sempre pertinente, e tem que ter disposição para dialogar sobre. Agora, sobre Bolsonaro, tudo vira um risco. São constantes ataques à Constituição, ao Supremo, ao Congresso, aos governadores e à imprensa. Todos são atacados. Então o voto impresso para Bolsonaro, não vou dizer que todos que acompanham [ a ideia do] o voto impresso estejam defendendo a intenção que Bolsonaro defende, mas sem dúvida a intenção do presidente e daqueles que o circundam ao insistir no voto impresso não é efetivamente das condições de auditar votos e sim de gerar confusão", defendeu.
O político gaúcho ressaltou que o sistema impresso pode trazer mais problemas como, por exemplo, dificuldades na impressão dos comprovantes, também falou do fato da mudança abrir uma prerrogativa para um prazo maior até que se alcance o resultado final do pleito, e continuou a crítica. "Parece que a intenção é muito mais repetir o que foi feito por Trump nos Estados Unidos de gerar tensionamento até o último momento, enquanto vai tentando discutir a eleição e gerar confusão", opinou.
Ainda de acordo com Eduardo Leite, o assunto é sensível em se tratando do desfecho da decisão em torno da mudança ou não do modelo atual de votação. "Costumo dizer que é algo como se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Se aprova o voto impresso vão conseguir formar confusão na contestação dos resultados lá na frente. Se não aprova vão fazer a confusão com uma teoria de conspiração contra a eleição dele. A verdade é que não há nenhuma razão até aqui que sustente a mudança do processo eletrônico. Não existe", apontou.
Leite iniciou nesta semana uma agenda de viagens pelo país buscando apoio dentro do partido para concorrer as prévias do PSDB como possível nome para o pleito de 2022. Nesta sexta-feira (16), ele se reuniu com o presidente do Democratas, ACM Neto, na busca por apoio na empreitada (veja).
