Aleluia e Marighella discutem após governo federal negar apoio a festival baiano
Os vereadores de Salvador Alexandre Aleluia (DEM) e Maria Marighella (PT) trocaram farpas no Twitter nesta segunda-feira (12). Aleluia respondeu uma publicação em que a petista chamou de "censura" a negativa da Funarte para liberação de recursos via Lei Rouanet para o Festival de Jazz do Capão, na Bahia.
"Censura! A Funarte utiliza argumentos religiosos e uma crítica ao fascismo do perfil do Festival de Jazz do Capão pra negar a possibilidade de captação de recursos pela Lei Rouanet", escreveu Maria Marighella.
Aleluia respondeu, horas depois, e ironizou o posicionamento da colega. "A vereadora estava acostumada a uma Sec da Cultura do PT q priorizava esquemas escusos com a Rouanet. Tempos que a Cultura era usada como ferramenta de politicagem e propaganda partidária", disse na publicação.
Na sequência, Marighella corrigiu Aleluia ao falar do Ministério da Cultura, pasta encerrada pelo governo Bolsonaro e disse que poderia "debater o tema na Câmara de Salvador". A troca de mensagens foi finalizada quando Aleluia enviou uma matéria do jornal Estadão sobre fraudes na Lei Rouanet.
ENTENDA O CASO
Realizado desde 2010 na Chapada Diamantina, na Bahia, o Festival de Jazz do Capão teve apoio negado pelo governo federal, um ano após a organização do evento se manifestar como “antifascista” nas redes sociais (leia mais aqui).
“No dia 01/06/2020, o Festival de Jazz do Capão decidiu se posicionar, na sua página do Facebook, a favor da Democracia e contra o Fascismo. Passado um ano, a referida postagem foi citada como motivo principal para que o nosso projeto de captação na Lei Rouanet tivesse um parecer desfavorável para a sua aprovação”, denunciou a equipe do festival.
Segundo a organização, desde sua criação, o evento nunca teve reprovada a captação via lei de incentivo. Agora, no entanto, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) alega "desvio de objeto, risco à malversação do recurso público incentivado com propositura de indevido uso do mesmo" para negar o apoio.
Nesta segunda (12), o secretário-especial de Cultura do governo federal, Mário Frias, afirmou que a pasta irá “tirar a cultura do palanque político” (veja mais aqui).
Pelo Twitter, o ex-ator de Malhação sugeriu que o festival versa sobre o “combate a um fascismo imaginário” e justificou as escolhas políticas para não conceder patrocínio à festa.
“É inacreditável que estejamos discutindo os motivos de não se autorizar verba pública da Cultura para um evento que se propõe a falar sobre política, num combate a um fascismo imaginário”, escreveu.
Ele também se irritou com as críticas de uma jornalista ao governo federal (veja aqui).
