Bolsonaro x democracia: Especialistas avaliam dicotomia e apontam 2022 como 'decisivo'
Por Mari Leal
No sentido mais básico, democracia dá conta de um regime político em que os cidadãos elegíveis participam igualmente da escolha dos seus representantes políticos. O conceito abrange ainda aspectos sociais, econômicos, culturais, de acesso a Justiça, os direitos e as liberdades de forma universal, salvaguardadas as diversidades que partilham o ambiente coletivo.
É este o contexto que uma parcela dos cidadãos e de grupos político-partidários no Brasil aponta como divergente aos comportamentos e ideologias elaboradas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o atual governo federal como um todo. O receio de uma ruptura democrática, que já se apresentava em 2018, tem ganhado ainda mais força quando o foco se volta para as eleições de 2022.
Recém chegado ao PSB, o deputado federal Marcelo Freixo avaliou que a eleição de 2022 será a mais importante, “até porque pode ser a última”. Já Flávio Dino, governador do Maranhão e novo socialista, caracteriza o próximo pleito como “um plebiscito entre aqueles que querem a continuidade da democracia”. Na mesma linha, a qual se vislumbra minar as possibilidades de reeleição de Bolsonaro, se discute de forma cada vez mais concreta a criação de uma frente ampla, proposta que deverá concentrar legendas de posicionamento político de centro-esquerda ou até mesmo a união de partidos de centro-direita.
Para o sociólogo baiano Joviniano Neto, as eleições de 2022 aparecem no horizonte como “o momento de decisão” e há base real para o receio de uma quebra institucional democrática. Segundo ele, “as pessoas gostam de pensar em soluções, em decisões e é difícil para as pessoas se mobilizarem para uma coisa sem data". "Um momento indefinido do jogo”.
“A defesa da democracia é uma coisa que ultrapassa as políticas de esquerda. É uma coisa mais ampla que permite uma união. Para enfrentar o governo [Bolsonaro], que é um governo que realmente ataca uma série de valores humanos e democráticos, a ideia de uma frente que incorpore o centro para defender a democracia e as instituições é adequado, até porque tem base real”, explica.
O cientista político Cláudio André relembra que não é nova a avaliação e uma visão clara da postura “antidemocrática”, “antirrepublicana”, preocupante da visão de Bolsonaro em relação ao regime democrático. “A gente pode dizer que Bolsonaro era certamente a força mais antidemocrática que já se apresentava nas eleições de 2018. É uma avaliação que agora foi confirmada, porque Bolsonaro mantém valores antidemocráticos, antirrepublicanos”, diz. O especialista cita como exemplos as suspeitas de corrupção que rondam o governo, inclusive na relação com os filhos, o chamado “orçamento secreto” e outros.
