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Cerca de 200 famílias ocupam antigo prédio da Embasa na Av. Sete de Setembro

Por Ailma Teixeira

Cerca de 200 famílias ocupam antigo prédio da Embasa na Av. Sete de Setembro
Foto: Arquivo Pessoal

Com moradia sob ameaça, cerca de 200 famílias decidiram ocupar o prédio onde ficava a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), na Av. Sete de Setembro, em Salvador. A ocupação, realizada na madrugada desta segunda-feira (7), foi organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e batizada de Ocupação Carlos Marighella, em homenagem ao guerrilheiro comunista baiano.

 

O coordenador do movimento, Gregório Motta, comentou com o Bahia Notícias a situação dos novos moradores do prédio. "São famílias que moravam de favor, de aluguel, na região de Centro, e que já não tem mais condição de pagar. Várias famílias foram recentemente despejadas porque a situação está insustentável", ressaltou, acrescentando ainda o caso das pessoas que deixaram de receber o auxílio emergencial neste ano.

 

Com isso, o intuito é promover uma moradia para essas famílias e também dar uma função social ao espaço público que eles estimam estar há mais de seis anos abandonado. No passado, o edifício abrigou o Centro Educacional Magalhães Neto e agora voltará a sediar uma unidade de ensino.

 

Os ocupantes já começaram a limpeza do primeiro andar, onde vão instalar a Creche Selma de Jesus Batista, batizada em homenagem a uma militante do grupo que faleceu no ano passado. "No momento, nossa prioridade é a creche e iniciar a alfabetização para os moradores, mas o objetivo é abrir um [cursinho] vestibular universitário", comenta Motta.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

Apesar de encontrar o imóvel abandonado, ele afirma que o espaço está em boas condições estruturais. Além disso, o grupo ressalta que nada foi danificado com a instalação.

 

Ainda assim, o coordenador conta que viaturas da polícia já os abordaram cinco vezes ao longo desta manhã. "Uma primeira viatura, um pouco ostensiva, veio dizendo que a gente podia ser levado, mas quando viram os advogados do movimento, que é um movimento organizado, acabaram recuando", pontuou. Depois disso, as abordagens seguintes foram pacíficas.

 

Mas se a força policial do estado tem marcado presença na ocupação, o MLB não pode dizer o mesmo das entidades sociais que, até então, não foram ao local. O Bahia Notícias procurou a assessoria de comunicação do governo do estado para saber se eles acompanham a ocupação e recebeu uma nota. No texto, a empresa diz que registrou boletim de ocorrência contra a invasão e vai buscar "as medidas legais cabíveis" para ter a reintegração de posse do imóvel.