Deputado confirma articulação de Ramos em orçamento secreto do governo
O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou que o ministro da Casa Civil, General Luiz Eduardo Ramos, foi responsável pela negociação da distribuição dos recursos do 'orçamento secreto', o chamado 'tratoraço', usado pelo governo para expandir a base de apoio. É o que diz apuração do jornal O Estado de S. Paulo.
De acordo com o Jornal, o período de efetivação do esquema coincide com a aproximação do presidente Jair Bolsonaro com partidos do Centrão. O deputado Hildo Rocha disse que o relator do Orçamento em 2020, Domingos Neto (PSD-CE) seguia orientações do ministro e não controlava a destinatação de recursos do orçamento paralelo.
"O governo que decidiu tudo. Eu não sei quem foi que ele atendeu, como ou com quanto. Nem eu nem ninguém tem esse controle", disse um deputado que participou do acordo, mas só aceitou falar sob anonimato. O relator do Orçamento não quis comentar o caso.
Ainda segundo o Estadão, o orçamento secreto foi usado pelo Planalto para garantir a vitória de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nas eleições da Câmara e do Senado. O deputado Hildo Rocha disse que votaria no colega de partido Baleira Rossi para a presidência da Câmara e teve um apadrinhado demitido pelo governo da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf).
Rocha também afirmou que o Planalto suspendeu a possibilidade do parlamentar destinar recursos de emenda do relator para o estado do Maranhão. "Estava tudo certo. Eu estava doente e quando voltei, no final de dezembro, já tinham botado para outros Estados".
O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, disse em entrevista ao jornal O Globo que os repasses privilegiaram parlamentares aliados e afirmou que o modelo é conhecido como "toma lá, dá cá".
O jornal revelou, ainda, que a proposta do orçamento secreto foi articulada no fim de 2019, no gabinete do ministro Luiz Eduardo Ramos. Através do mecanismo, o governo teria reunido R$ 20 bilhões que deveriam ser usados por ministros com base em critérios técnicos e sem interferência do Congresso.
Entretanto, documentos mostram que o governo destinou pelo menos R$ 3 bilhões para um grupo político.
