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SSP reconhece racismo em mortes após furto de carne no Atakarejo; investigação avança
Foto: Alberto Maraux/ SSP-BA

A Polícia Civil da Bahia, através do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), já tem indicativo de autoria no duplo homicídio dos homens que furtaram carne em uma unidade do Atakarejo, em Salvador. Bruno Barros da Silva e Yan Barros da Silva foram encontrados mortos, com sinais de tortura, na última segunda-feira (26), no bairro da Polêmica, e familiares dos dois apontam que eles foram entregues a traficantes pelos seguranças do mercado (saiba mais aqui).

 

Diante dessas e de outras informações, o DHPP coletou, nesta terça (4), novas imagens do circuito de câmeras de vigilância do mercado e agora a Coordenação de Perícia em Audiovisuais do Departamento de Polícia Técnica (DPT) analisa o material. Laudos cadavéricos e periciais do local do fato vão complementar as investigações.

 

Mas, desde já, o titular da SSP-BA, Ricardo Mandarino, reconhece um componente crucial neste crime: o racismo. Para ele, casos assim refletem a concepção errônea sobre justiça que tomou conta de parte da sociedade.

 

"Trata-se de um delito resultado desse conceito vil, tosco, desumano, deturpado de que 'bandido bom é bandido morto'. Há, nessa ação abjeta, um componente forte de racismo estrutural e ódio aos pobres. Na cabeça dessa gente torpe, todo pobre e preto é bandido. É uma gente perversa, desprovida de qualquer sentimento de empatia e que demonstra claramente que o trabalho da polícia não satisfaz, porque a polícia não mata, não pode e não deve matar. A polícia prende em flagrante, ou com ordem judicial, e entrega o infrator à justiça", declarou o secretário.

 

Mandarino disse ainda que é assim que se procede em sociedades civilizadas onde há constituição como a do Brasil. "Se alguém se valeu de milicianos, de integrantes do crime organizado para obter o resultado infame que obteve, é coautor do delito. Uma vez identificado, será indiciado. Esteja a sociedade certa disso", ressaltou o secretário.

 

No caso em questão, a delegada-geral Heloísa Campos de Brito acompanha as investigações e pontua a devida aplicação da legislação penal. “Cada desdobramento do DHPP sobre este caso é acompanhado por mim. Todos os envolvidos com este crime serão responsabilizados, sejam eles quem forem, no rigor da lei”, afirmou.

 

A diretora do DHPP, delegada Andrea Ribeiro, disse que mais de 10 pessoas já foram ouvidas. Além disso, ela acrescentou que outras providências adotadas não podem ser reveladas para não atrapalhar as investigações.

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