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Conteúdo da política externa não mudará com a troca de ministros, avalia especialista

Por Lula Bonfim

Conteúdo da política externa não mudará com a troca de ministros, avalia especialista
Carlos Alberto França, novo ministro das Relações Exteriores | Foto: Reprodução

A escolha de Carlos Alberto França para o comando do Ministério das Relações Exteriores (relembre aqui) não deve provocar uma grande mudança na política externa brasileira, conforme avaliação de Juliano Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). Para ele, a gestão “desastrosa” de Ernesto Araújo será mantida em seu conteúdo, mas deve melhorar na forma.

 

Segundo Cortinhas, antes do governo Bolsonaro, o Brasil era muito respeitado no ambiente das Relações Exteriores, pois se aliava com organizações internacionais, procurava diversificar parcerias, respeitava os princípios do direito internacional, os direitos humanos e contribuía para operações de paz. Entretanto, a gestão de Ernesto Araújo destruiu tal imagem, porque ideologizou a política externa brasileira, que antes era pautada pelo pragmatismo.

 

“Quando Ernesto Araújo chega, denunciando o que ele chamava de globalismo, ele impõe um pensamento que está completamente fora da realidade. Parecia que estava vivendo em um mundo paralelo, em que o globalismo e o comunismo iam dominar o planeta. Completamente fora da realidade, porque nem a própria China continua pregando o comunismo como organização política e econômica”, criticou Cortinhas, que é mestre e doutor em Relações Internacionais.

 

O especialista também criticou o comportamento público de Ernesto Araújo nas redes sociais, se aproximando do que chamou de “milícia digital” bolsonarista, prejudicando ainda mais a imagem do país. Nesse aspecto, Cortinhas considera que haverá uma evolução na gestão de Carlos Alberto França, que possui um perfil muito mais discreto.

 

“O atual chanceler é muito mais discreto, tem um perfil muito mais baixo. E acho, nesse sentido, que haverá uma melhora. Não no conteúdo, mas na forma como são feitas as coisas. E a forma importa muito para a diplomacia”, avaliou o professor da UnB.

 

Por outro lado, Cortinhas não considera que essa mudança de comportamento seja o suficiente para que o Brasil recupere o espaço perdido nas Relações Exteriores. Segundo ele, isso só acontecerá quando o país decidir trocar a chefia do Poder Executivo.

 

“Acho que o Brasil não vai conseguir recuperar parcerias perdidas. Vamos levar muito tempo para mudarmos a nossa imagem no sistema internacional. E essa mudança passa pela saída de Bolsonaro. Com Bolsonaro, não tenho grandes esperanças”, finalizou o doutor.