Prefeitura de Salvador pretende escalonar funcionamento de atividades na cidade
Por Bruno Luiz / Ailma Teixeira
Ao unir o problema da disseminação do coronavírus à crise no sistema de transporte coletivo, a Prefeitura de Salvador estuda escalonar o funcionamento das atividades comerciais na cidade. A medida é pensada para o momento de flexibilização das restrições, que atualmente proíbem por completo o funcionamento de serviços não essenciais, mas também para manter o fluxo de passageiros nos ônibus, já que o sistema de transporte público teve sua crise aprofundada.
"A prefeitura desenvolveu um sistema de BI, que permitiu que a gente, com dados do Salvador Card, que a gente tenha informação sobre todas as atividades da cidade. Conseguimos fazer a separação por setor. Quantos trabalham no setor de serviços, na área da saúde, na construção civil, no setor público", conta o prefeito Bruno Reis sobre o trabalho em andamento.
De acordo com ele, com base nessas informações, a gestão identificou que o transporte público tem "horários críticos de lotação", das 6h às 8h e de 18h às 20h. O prefeito ressalta que, por mais que se aumente a frota, há lotação nessas faixas de horário. Além disso, ele frisa que a gestão não tem dinheiro — desde junho do ano passado, a prefeitura assumiu a operação da CSN, intervenção que chega ao fim na próxima quarta-feira (17) (veja aqui).
"Não temos dinheiro. Se a prefeitura não der um apoio maior no mês de abril, as empresas não vão conseguir pagar o salário dos funcionários. E a prefeitura não tem dinheiro para pagar", pontua Bruno durante a coletiva de imprensa virtual, realizada na manhã desta quinta (11), para anunciar a entrega de uma estrutura de atenção às urgências em Pirajá.
No quesito saúde, ele lembra que a gestão abriu mais leitos para pacientes com Covid-19, a exemplo do Hospital Salvador, e tem outros custos, como o auxílio para trabalhadores informais, que deve ser garantido por mais três meses (saiba mais aqui).
"Tem que garantir leitos de UTI, o transporte público, que eu tenho que equilibrar. Qual o caminho? Intercalar os horários de funcionamento. Fazer com que, em nenhum horário, a demanda não seja maior", defende o prefeito. Ele afirma que já apresentou o resultado dos estudos aos setores econômicos, que pontuaram suas demandas, e o poder público as acrescentou ao plano.
Feito isso, Bruno disse que vai negociar com o governo estadual o horário de funcionamento do setor público estadual, como órgãos de Justiça, e aí, "quando for possível", os dois irão anunciar as definições. As medidas restritivas atualmente em vigor chegam ao fim às 5h da próxima segunda-feira (15) após pouco mais de duas semanas. O prefeito disse que vai avaliar os índices da pandemia a partir desta sexta para decidir se as prorroga ou não.
