Laudo preliminar indica tiro na cabeça de jovem morto após abordagem de PMs no Rio
Um laudo preliminar indicou que uma das vítimas da abordagem que terminou com dois mortos e policiais presos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, tinha duas perfurações no rosto. Jordan Luiz Natividade, segundo a Polícia Civil, teria levado um tiro só, na parte da frente da cabeça.
Já Edson Arguinez, de 20 anos, tinha duas perfurações de tiros, sendo duas nas costas e duas na barriga. O laudo da necrópsia ainda não divulgado, de acordo com o G1.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense ainda avalia se será possível fazer o confronto balístico: comparar os projéteis encontrados no corpo de Edson e Jordan com as armas apreendidas com os policiais, dois fuzis e duas pistolas.
O dono da moto utilizada pelos jovens quando foram derrubados já foi ouvido pela Polícia, que agora quer refazer o trajeto da viatura dos policiais presos pela morte dos dois jovens. O porta-voz da Polícia Militar, Ivan Blaz, afirmou que a abordagem foi uma "ação extremamente errada".
"Infelizmente, esses jovens policiais colocaram suas carreiras em risco por conta de uma ação extremamente errada", afirmou, em entrevista a Globo.
As vítimas foram Edson Arguinez Junior, de 20 anos, e Jordan Luiz Natividade, de 17 anos. Os corpos dos jovens foram enterrados no cemitério da Solidão, também em Belford Roxo, na tarde desta segunda-feira.
Segundo Blaz, a área é considerada perigosa pelo 39º BPM (Belford Roxo). Porém, ressaltou que a condução do caso pelos policiais presos, o cabo Júlio Cesar Ferreira dos Santos e o soldado Jorge Luiz Custódio da Costa, foi errada.
"Quem tem um mínimo de conhecimento sabe que as abordagens nem sempre são perfeitas. É um momento tenso. Porém, a conduta na condução dessa ocorrência foi completamente errada. Não houve qualquer forma de comunicação para os seus superiores. E mesmo assim, mesmo se tivesse havido, por tudo aquilo que nós vimos, não era possível que essa ocorrência fosse ignorada", avaliou.
Blaz ainda defendeu a comandante do 39º BPM, que, segundo ele, fez todo o trâmite para encaminhar o caso para a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.
"Não há muito o que se avaliar. Eles já estão presos. Há de se destacar toda a proficiência da Polícia Militar, que, ao receber as mães no batalhão, puxou o GPS das viaturas, identificou a viatura que passou próximo ao local onde os corpos foram deixados, buscou em casa os policiais, recolheu suas armas, separou a viatura para a perícia", pontuou.
"Me permita discordar, a gente pode observar o policial gesticulando e se colocando em frente à moto. As informações relativas a este momento em que eles entram na viatura e o momento em que eles aparecem mortos, isso é o foco da investigação da delegacia de Homicídios.
Nas imagens, é possível ver que um policial atira em direção aos dois jovens que passam de moto. Em seguida, os dois caem. Um PM dá um chute nas costas de um deles. Logo depois, o carro branco que estava parado atrás do da polícia deixa o local.
Um policial leva um dos jovens para o outro lado da rua. O outro se arrasta para o mesmo lugar. Os policiais ficam minutos ali. Um deles desaparece da imagem.
Outra câmera mostra o momento em que os jovens são algemados e levados pelos policiais. Edson e Jordan foram encontrados em outro local, distante do ponto onde foi feita a abordagem. No carro dos policiais, a perícia encontrou o que acredita ser manchas de sangue no chão e no tapete do veículo.
Na primeira câmera, o policial aparece subindo na moto e deixando o local. O outro PM entra no carro e também dá a partida. Em depoimento, os dois policiais disseram que o piloto da moto perdeu o controle e eles caíram, e que não houve nenhum disparo.
O cabo Júlio Cesar disse ainda que os rapazes foram algemados para levá-los até a delegacia e, por isso, o soldado foi dirigindo a moto com os dois algemados no banco de trás.
Eles disseram ainda no depoimento que uns 40 metros depois resolveram liberá-los porque concluíram que nem os jovens e nem a motocicleta tinham problemas. A prisão dos policiais foi concedida pelo juiz de plantão com o agravante de não terem informado ao comandante do Batalhão o que havia ocorrido. O soldado Jorge Luiz afirmou no depoimento "não ter o que relatar".
Jordan Luiz Natividade, de 18 anos morava com a mãe, o padrasto e a irmã menor em São Bernardo, Belford Roxo. Ele ajudava o padrasto e cursava o ensino médio, fazendo aulas online na Escola Municipal Manoel Gomes. Natália Esteves, tia de Jordan, disse em entrevista ao telefone que a primeira informação que receberam era de que o sobrinho e seu amigo tinham sido presos.
"Esse é o sentimento de revolta. Porque ali na situação ele não reagiram em nada. Nada que os policiais pudessem se sentir ameaçados. Não tem resposta", disse.
Renata, mãe de Edson, disse que o filho era brincalhão, alegre e amoroso, que gostava muito de jogar futebol. Ela também lamentou a atuação dos policiais. "Em vez de proteger o cidadão, eles fazem covardia", resumiu.
A Subsecretaria de Estado de Vitimados informou que ofereceu auxílio psicológico e social para as famílias dos rapazes.
