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Radiotelescópio gigante de 57 anos desaba após meses de deterioração em Porto Rico

Radiotelescópio gigante de 57 anos desaba após meses de deterioração em Porto Rico
Foto: Imagem de satélite / Maxar Technologies

O radiotelescópio gigante do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, que desempenhou um papel fundamental nas descobertas astronômicas por mais de meio século, desabou completamente nesta terça-feira (1º). Uma plataforma de mais de 900 toneladas que abrigava o telescópio caiu no prato refletor, que ficava cerca de 120 metros abaixo dela, segundo informações do portal G1.

 

A Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos já havia anunciado que o Observatório de Arecibo seria fechado. Em agosto, um cabo auxiliar quebrou e, no começo de novembro, um dos cabos principais rompeu. O colapso surpreendeu muitos cientistas que confiavam no que era até recentemente o maior radiotelescópio do mundo.

 

“Soou como um estrondo. Eu sabia exatamente o que era”, disse Jonathan Friedman, que trabalhou por 26 anos como pesquisador associado sênior no observatório e ainda vive perto dele. “Eu estava gritando. Eu estava fora de controle. Não tenho palavras para expressar isso. É uma sensação muito profunda e terrível".

 

“É uma grande perda”, disse Carmen Pantoja, astrônoma e professora da Universidade de Porto Rico que usou o telescópio em seu doutorado. “Foi um capítulo da minha vida”.

 

“O mundo sem observatório perde, mas Porto Rico perde ainda mais", disse Abel Méndez, professor de física e astrobiologia da Universidade de Porto Rico em Arecibo, que usou o telescópio para pesquisas.

 

Cerca de 250 cientistas em todo o mundo estavam usando o observatório quando ele foi fechado em agosto, incluindo Méndez, que estava estudando estrelas para detectar plantas habitáveis. “Estou tentando me recuperar. Ainda estou muito afetado, disse o professor de física.

 

O telescópio foi construído na década de 1960 com dinheiro do Departamento de Defesa dos EUA, em meio a um esforço para desenvolver defesas antimísseis balísticos. Ele suportou furacões, umidade tropical e uma série de terremotos recentes em seus 57 anos de operação.

 

O equipamento era utilizado para rastrear asteroides, conduzir pesquisas que levaram ao Prêmio Nobel e determinar se um planeta é potencialmente habitável. Também serviu como campo de treinamento para alunos de pós-graduação e atraiu cerca de 90 mil visitantes por ano.