Cultura: Turismo cultural e étnico aparecem como propostas entre candidatos
A Salvador histórica e como polo da cultura afro-brasileira é uma pauta recorrente entre os candidatos a prefeito de Salvador em 2020. As propostas vão até a uma versão brasileira da Wakanda da Marvel até a valorização dos acervos já presentes nos museus e projetos culturais da capital baiana. O Carnaval, outra manifestação popular exportada pela prefeitura, também aparece entre os projetos para a área de Cultura:
BACELAR (Podemos):
"Salvador pulsa cultura. Em cada rua, encontramos um produtor cultural. Infelizmente a prefeitura desestruturou toda a área cultural. Primeira necessidade é institucionalizar a cultura em Salvador. Definir o papel da FGM, definir o papel das outras entidades da área da cultura e investir muito mais do que tem se investido. Nós iremos transformar Salvador na capital negra das Américas. Vamos investir muito na cultura e na herança que nossos ancestrais africanos nos trouxeram."
BRUNO REIS (DEM):
"Nós vamos seguir resgatando e montando equipamentos culturais. Vem aí o Centro Cultural Casa da Música. Nós vamos implantar o Arquivo Municipal com toda a história da cidade. Seguir ampliando os espaços. Continuar o estímulo por meio de edital para a mais diversas manifestações culturais em nossa cidade. Cultura é fundamental e ela é casada com o questão do turismo na nossa cidade e vamos dar todo o incentivo para fortalecer ainda mais os aspectos da nossa cidade."
CEZAR LEITE (PRTB):
"Estamos trabalhando, uma das secretarias são Cultura e Turismo. A cultura histórica. Salvador é um museu céu aberto. Temos locais abandonados e não damos valor. Fortes que temos que resgatar e ruas. Temos um acervo nas ruas e precisam ser trabalhadas como atrativo. Arte, teatro e música vamos investir para jovens e idosos. Queremos um centro de referência. Para as crianças, vamos educar e montar um polo de cinema e audiovisual para economia criativa. Podemos colocar esse polo de cinema. Trazer toda a cadeia de produção para Salvador e vamos isentar para que venha essa indústria. Queremos ter aquela visão de Hollywood mesmo, pois vamos vender Salvador."
HILTON COELHO (PSOL):
"Salvador é uma cidade que vive a cultura de forma muito intensa, do Centro Histórico até a periferia. A lógica principal é de democratizar os estímulos à cultura. A proposta do PSOL para a questão da renda mínima é criar uma renda básica permanente e precisamos criar uma renda básica permanente também para os artistas na cidade de Salvador. Poetas de rua, músicos de rua, grupos de teatrais de rua precisam de uma discussão direta de aporte por parte da prefeitura. E, no outro âmbito, estão os grandes eventos. O maior evento é o Carnaval, e nós precisamos discutir a democratização do Carnaval, como o povo vai ocupar as ruas de Salvador do ponto de vista da afirmação da sua cultura. Para nós, existe uma centralidade muito grande nos afoxés de Salvador, eles são o coração, não se fala de axé music por acaso. Antes do axé music, veio o axé, e esses grupos estão completamente secundarizados. É preciso ter um diálogo, um aporte e um projeto relacionado à sobrevivência desse trabalho que está nas comunidades o ano inteiro e que deve se expressar no Carnaval de maneira privilegiada, assim como outros eventos como o São João."
MAJOR DENICE (PT):
"Para cultura nós precisamos entender que Salvador vai se dividir em dois pontos: Salvador é uma cidade cultural, que promove e constrói cultura, que vive de cultura, mas também é a cidade que vive economicamente da cultura. Para quem vive assim, nós estamos trazendo centros de empreendedorismo espalhados pela cidade. Serão 13, onde estas pessoas aprenderão um pouco mais a profissionalizar a sua arte. Em paralelo a isso, nós também estamos propondo a construção de um novo circuito de cultura na nossa cidade. Salvador é muito mais do que o Carnaval. Nós temos um parque histórico e cultural que é belíssimo. E por que não transformar Salvador nesta referência mundial da cultura, a exemplo de Lisboa, Barcelona? Também trazer a cultura étnica para esta cidade, transformando Salvador na Wakanda sul-americana. Enfim... Para que a gente possa trazer este turismo para cá e as pessoas entenderam esta dinamicidade que a gente tem. No circuito novo no Subúrbio, que o VLT vai estar trazendo, vamos ter o Circuito da Moqueca. Tudo isso somando estas artes que estão espalhadas pela cidade, consolidando Salvador neste polo cultural. Tanto cultura de construção, mas também economicamente cultural."
OLÍVIA (PCdoB):
"Vamos garantir que Salvador tenha uma política municipal de cultura. Salvador não tem. Vamos implantar o Sistema Municipal de Cultura, uma política que dialogue com todas as linguagens, editais para todas as linguagens artísticas que nós temos na cidade. Sabemos que há uma força para a área da música, o carro-chefe da cidade de Salvador, mas em Salvador há também o cinema, o audiovisual, há também o teatro, há outras modalidades culturais. E vamos apostar com muita força na economia criativa, até porque a nossa ideia é desenvolver mais essa marca de Salvador como cidade criativa, inteligente, uma espaço de produção de startups. Por isso nós vamos implantar também o “Subúrbio Digital”, fazendo uma política de descentralização dos investimentos na área de cultura e articulado com a inovação. Vamos implantar uma Secretaria Municipal de Cultura e Inovação e vamos também fazer uma calendário de eventos dialogando com todos os setores da cultura e do turismo. Não pode ser um calendário que saia somente da cabeça da prefeita ou das empresas ligadas à prefeitura. Temos que garantir a democracia na instituição do calendário de atividades culturais na cidade e contratação de artistas de maneira mais diversa do que vem acontecendo hoje."
PASTOR SARGENTO ISIDÓRIO (Avante):
"Eu sou professor de folclore, eu ensino capoeira, danças, ensino maculelê, eu ensino puxada de rede, aí você tem os artistas em Salvador, criativos. Você precisa voltar aqueles quiosques aonde o pessoal vai fazer a seresta deles, vai cantar o axé deles, organizar pra desimpactar o ambiente. Às vezes, você tem um local muito cheio porque só tem um bairro para aquela atração - Itapuã é muito cheio porque deixaram só Itapuã com aquilo. Nós temos outras orlas no Subúrbio, a praia do Subúrbio é maravilhosa, nós temos a falta de Marina, a segunda melhor baía do mundo hoje é aqui em Salvador, é aquela orla toda do Subúrbio. Então, a gente tem muita coisa pra fazer na área de cultura, porque, primeiro, em Salvador 80% [da população] é negro, a cultura aqui é toda da África, uma cultura... Pense um povo criativo, pensador, dançador, que gosta de fazer coreografia? Não é à toa que eu danço batendo as duas pernas, correndo risco."
