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Sem mencionar vítimas da violência policial, presidente da Nigéria pede fim dos protestos

Sem mencionar vítimas da violência policial, presidente da Nigéria pede fim dos protestos
Foto: Reprodução/ Vogue

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, fez um pronunciamento na televisão para pedir o fim dos protestos contra a violência policial no país. Há cerca de duas semanas, nigerianos têm realizado manifestações contra a brutalidade do Esquadrão Especial Anti-Roubo, o Sars na sigla em inglês.

 

Buhari não mencionou, no entanto, os relatos sobre ataques dos policiais aos manifestantes que culminaram na morte de pelo menos 12 pessoas, de acordo com números da Anistia Internacional.

 

"Apelo aos nossos jovens que parem com os protestos de rua e se juntem ao governo de forma construtiva para acharmos soluções", disse Buhari no pronunciamento feito nessa quinta-feira (22). Horas antes, testemunhas relataram novos tiros e incêndios em diferentes pontos da cidade de Lagos. Segundo o jornal O Globo, o governo local disse que houve um incêndio no presídio da região e vídeos apontam para a ocorrência de outro em um shopping.

 

O governo não tem sido capaz de impor o toque de recolher estabelecido para frear as manifestações. Pelo contrário, as tensões são crescentes. A Anistia Internacional contabiliza a morte de 56 pessoas em decorrência dos protestos diários. Desse total, 12 vítimas morreram em ataques do Exército e da polícia a manifestantes pacíficos apenas na noite de terça-feira.

 

Segundo o jornal, a Anistia afirmou ter recebido relatos de que, antes dos tiros, câmeras de segurança em uma cabine de pedágio, em Lekki, foram removidas por funcionários do governo e que a eletricidade foi cortada. "Uma clara tentativa de omitir provas", ressaltou a organização.

 

Diante desse cenário, a situação vem ganhando mais atenção de autoridades internacionais. O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, disse que "é alarmante saber que várias pessoas foram mortas ou feridas durante os protestos contra o Sars. É crucial que os responsáveis pelos abusos sejam levados à Justiça", declarou, em nota. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu o fim da "brutalidade" por parte da polícia nigeriana.

 

Em resposta, o presidente da Nigéria disse estar agradecido pela preocupação, mas pediu que "procurem saber todos os fatos disponíveis antes de tomar uma posição ou correr para fazer julgamentos e pronunciamentos precipitados".

 

#ENDSARS

Os protestos começaram há cerca de duas semanas para combater os recorrentes casos de violência policial contra civis. De acordo com o site da Vogue Brasil, o Sars foi criado com o objetivo de proteger a população contra grupos armados. No entanto, o trabalho tem sido desviado e a força policial acumula denúncias por violações de direitos humanos, extorsão, assédio e homicídios.

 

O portal explica que agentes do Sars costumam abordar jovens nas ruas, sob o argumento de que eles estariam envolvidos em esquemas criminosos. Com isso, eles forçam as vítimas a lhes repassar dinheiro e cometem outros crimes.

 

Sendo assim, o objetivo maior com esses protestos é garantir uma reforma estrutural na segurança do país. Três anos atrás, em 2017, eles levantaram uma campanha pelo fim do Sars, motivada por um vídeo em que um policial é visto atirando em um rapaz. Na época, os manifestantes foram reprimidos com muita violência.

 

Agora, além da reforma, os jovens pedem o fim da impunidade para policiais já acusados por abusos, o pagamento de indenização às vítimas e famílias afetadas pelo Sars, a suspensão de agentes envolvidos em crimes e a criação de um comitê para analisar as denúncias.

 

Amplificado pelas redes sociais, o movimento também colhe apoios, tanto por meio da divulgação da “#EndSars” quanto por meio de doações para organizações que apoiam os manifestantes.