Com praias fechadas em Salvador, salva-vidas trabalham para fiscalizar quem 'fura' proibição
Por Matheus Caldas
Mesmo com os protocolos que vedam a utilização das praias de Salvador, os salva-vidas segue trabalhando normalmente na orla soteropolitana, embora tenha havido a diminuição na carga horária para protege-los. De acordo com o coordenador da Salvamar, Yuri Carlton, os profissionais vêm fazendo uma operação para fiscalizar os banhistas que descumprem as medidas estabelecidas pela prefeitura.
“Estamos trabalhando principalmente por conta da fiscalização, justamente para coibir os banhistas, para avisar que decreto está em vigor. Isso, inclusive, com a aliança com a Guarda Municipal e outros órgãos municipais [Transalvador, Sedur e Semop]. Estávamos tendo dificuldade para retirar o pessoal”, explica, em entrevista ao Bahia Notícias. “Já com a Guarda, o pessoal procura não contestar”, acrescenta.
A ‘Operação Tira o Pé de Areia’ está sendo feita de forma mais intensa aos finais de semana, com a união de autarquias e secretarias municipais. Aos meios de semana, a Salvamar faz o trabalho sozinha. “Essa é nossa função. Só que, infelizmente, acontece afogamento e morte por teimosia das pessoas que descumprem esses protocolos”, lamenta.
No último feriadão do Dia da Independência, foram registrados, somente em três dias, 15 afogamentos e duas mortes nas praias soteropolitanas (leia mais aqui). O número de óbitos igualou o registrado no período entre março e setembro, quando duas pessoas morreram. Neste mesmo recorte de tempo, foram 48 afogamentos.
Segundo Carlton, não houve diminuição do contingente de salva-vidas, mas foi promovida a redução da carga horária. “Nós reduzimos a carga horária para justamente proteger os salva-vidas. Não reduzimos o quadro de agentes, mas de dia de serviços. Os agentes continuam, a não ser os mais velhos ou com problemas de saúde”, pontua.
O coordenador da Salvamar também explica que este mês é, tradicionalmente, o mais alarmante nos números de afogamentos na capital. “É quando o mar está muito mais agitado, com as correntes marítimas e ventos. É o veranico. E aí soma a mistura de bebida alcoólica nas praias, que é um agravante”, avisa.
Por conta disto, ele reforça para que os soteropolitanos cumpram as medidas de fechamento das praias estabelecidas pela prefeitura. “Peço que isto seja reforçado, para que as pessoas evitem as praias e respeitem os protocolos”, conclui.
A faixa de areia e o banho de mar estão proibidos em Salvador desde março. O prefeito ACM Neto (DEM) ainda não liberou o uso dos espaços, mas sinalizou nesta quinta-feira (10) que a liberação deve ser feita por fases, com funcionamento liberado apenas para o meio de semana e para a prática de atividades esportivas e banho de mar, “excluindo a possibilidade de exploração econômica ou de permanência na praia na extensão da areia, com o sombreiro, o isopor com cerveja e etc.”.
