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Aliados de Bolsonaro no Congresso também indicam parentes para cargos no governo

Aliados de Bolsonaro no Congresso também indicam parentes para cargos no governo
Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

A repercussão provocada pela indicação da filha do ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, para uma vaga na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostrou que a prática de nomear parentes de parlamentares e demais aliados em cargos do governo federal também está presente no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). 

 

Segundo reportagem do jornal O Globo, em maio, o filho do senador Elmano Férrer (Pode-PI), Leonardo Férrer, se tornou ouvidor na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A representante dos trabalhadores da companhia deu um voto contrário à sua indicação por defender que o posto deveria ser ocupado por um servidor de carreira, mas não adiantou.

 

A matéria também traz exemplos da Fundação Nacional de Saúde, a Funasa. Em agosto do ano passado, o governo nomeou a mulher do líder do PL, Wellington Roberto (PB), Deborah Roberto, e uma tia do deputado Gustinho Ribeiro (SD-SE), Maria Luiz Felix. Na superintendência do órgão na Paraíba ficou a mãe do líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). De acordo com a publicação, Virgínia Velloso Borges está no cargo desde 2017.

 

Ao jornal, Ribeiro frisou que sua mãe foi indicada ainda no governo Michel Temer (MDB) e disse que ela exerce a função como técnica. "Ela é competentíssima, já trabalhou em vários órgãos aqui em Brasília e agora está na diretoria de saúde ambiental e fazendo um trabalho excelente. Está comunicando tudo ao presidente e colocando ordem por lá", defendeu.

 

O vice-líder do governo no Senado, Izalci Lucas (PSDB-DF) também tem um parente em cargo na estrutura do Executivo. O filho dele, Sérgio Fernandes Ferreira, trabalha em uma diretoria no Ministério do Turismo. "Ele é jovem de boa formação e secretário-geral do partido. Tem vida independente e não sou eu que vou proibi-lo de atuar no governo, até porque já fiz isso durante toda minha trajetória", afirmou o senador, negando qualquer tipo de favorecimento. 

 

Outro parlamentar, o deputado Julio Cesar (PSD-PI) admitiu ter pedido uma vaga para sua irmã, Jacqueline Carvalho Maia, na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Eu já fui diretor administrativo da Conab em 2001, e conhecendo lá as pessoas consegui uma indicação dela. Não foi critério político, foi mais pela relação de amizade, por eu conhecer as pessoas", confirmou. Jacqueline atua como assessora da presidência da companhia, que é ligada ao Ministério da Agricultura.

 

Já a indicação da filha de Braga Netto não foi para frente. Diante da repercussão negativa, a própria Isabela Netto desistiu de assumir o cargo na ANS. A indicação dela havia sido aprovada pelo Ministério da Casa Civil, comandado pelo pai. Se progredisse, ela assumiria a Gerência de Análise Setorial e Contratualização com Prestadores, um cargo com salário de R$ 13 mil.