Oposição do Brasil à 'saúde sexual reprodutiva' enfraquece luta contra mutilação genital
A oposição ao termo “saúde sexual e reprodutiva” tem sido a mais recente face conservadora do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). A expressão aparece em uma proposição dos países africanos para banir a mutilação genital feminina. A prática atinge cerca de 3 milhões de meninas, de acordo com reportagem do El País. A conduta do Itamaraty vem sendo a de pedir a exclusão de qualquer referência aos acesso das mulheres à “saúde sexual reprodutiva”.
A oposição brasileira ao termo se baseia uma eventual possibilidade de, em um futuro remoto, a expressão ser utilizada para justificar práticas de aborto. De acordo com a reportagem, Os autores dos textos negam qualquer relação com a interrupção da gravidez e apontam que, no caso da mutilação, tal acesso pode significar a diferença entre a vida e a morte dessas mulheres.
A posição do Brasil foi recebida com choque pelas demais delegações. Na sede do Itamaraty, em Brasília, as orientações dadas pela cúpula do ministério têm gerado indignação nos próprios funcionários. Conforme a apuração, a conduta também vem isolando o Brasil na América Latina, já que o Itamaraty agora é visto como retrógrado pelos países africanos e como bárbaro pelos governos europeus.
A resolução contra a mutilação genital está prevista para ser votada na semana que vem no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
