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Ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa morre no Rio; causa não foi informada

Ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa morre no Rio; causa não foi informada
Foto: IE / UFRJ

Morreu, na manhã desta sexta-feira (5), aos 83 anos, o economista e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele já passava por problemas de saúde há algum tempo. Segundo a família, Lessa contraiu a Covid-19, mas a causa oficial da morte não foi informada. As informações são da Valor Econômico.

 

Conhcecido por ser um nacionalista ferrenho, apaixonado pela história do Brasil, Carlos Lessa teve no BNDES uma passagem polêmica. Ele assumiu o comando do banco no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e lá ficou por dois anos. Durante esse período, Lessa promoveu tentou retomar a política de fomento da instituição, que, segundo ele, estava se tornando um banco de investimento, sob o comando dos “neoliberais” da gestão Fernando Henrique.

 

Também comprou briga com a gigante americana de energia, AES, que ficou inadimplente com o banco em US 2,1 bilhões, por conta de empréstimo tomado para comprar na época da privatização a distribuidora paulista de energia, Eletropaulo. O banco, visando não ter prejuízo, se tornou sócio dos americanos e criou a empresa de energia Brasiliana.

 

Carlos Lessa ainda comprou briga com o então presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Os dois conflitos resultaram na sua demissão. Entre os anos de 1985 e 1989, no governo Sarney, o economista já tinha feito parte do BNDES, em sua recém-criada área social (o "S" da sigla).

 

Carioca, de um bairro da classe média do Rio de Janeiro, Lessa teve como destaque em sua carreira pública o cargo de reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o qual assumiu em 2002.

 

No comando da instituição, iniciou um “plano emergencial de salvação da UFRJ”. A ideia era resolver problemas de segurança e iluminação do campus universitário, no Fundão, para possibilitar a abertura de cursos noturnos.

 

Em apenas cinco meses de gestão, Lessa realizou suas metas de convocação dos colegiados superiores da instituição; distribuiu bolsa-auxílio aos estudantes de baixa renda e lançou o primeiro portal da UFRJ.

 

Antes disso, entre 1990 e 1997, ele passou por graves problemas de saúde, incluindo males cardíacos e um câncer. Por causa desses problemas, teve de se submeter a três cirurgias e deixou de fumar. Após o episódio, ele dizia que queria "levar a vida como se não tivesse tempo a perder", e começou a fazer questão de falar o que lhe vinha à cabeça.

 

Sua vida ainda ficou marcada por uma fuga do Brasil para o Chile durante a ditadura militar. Fora, foi professor do Instituto de Planejamento Econômico e Social, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

Lessa teve três filhos com sua esposa, Martha, e multiplicou um patrimônio herdado do pai e do avô.