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Proprietário de araras diz que policiais apreenderam aves sem mandado judicial

Por Glauber Guerra / Matheus Caldas

Proprietário de araras diz que policiais apreenderam aves sem mandado judicial
Foto: Divulgação / SSP

O proprietário das oito araras apreendidas na última quarta-feira (3), no bairro do Stiep, em Salvador, rebateu a informação divulgada pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e indicou que as equipes da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa) não possuíam mandado de busca e apreensão para entrar em sua casa e aprender as aves (entenda aqui).

 

“Eu estava trabalhando em Camaçari. Minha mãe não me ligou, pois, senão, eu iria orientar ela a não deixar entrar”, explicou Robson Costa, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

“A forma que eles fizeram a diligência... Minha mãe é uma pessoa de idade. Ela não ligou, porque sabia que eu iria ficar preocupada. Eu trabalho em outra cidade e iria dar meu jeito para vir em Salvador. Eles não tinham um mandado expedido por um juiz. Não tem inquérito nenhum sobre as nossas aves. Não existem maus tratos”, acrescentou.

 

Ainda segundo Robson, o pai dele, que presenteou ele e a mãe com as araras, está vivo, contradizendo a informação inicialmente passada pela SSP-BA, que informou que ele havia falecido.

 

“Houve um incidente há sete dias com uma cobra jiboia no fim da rua e a Coppa foi chamada. Assim, vários vizinhos vieram informar que eles estavam olhando para nossa residência, e ontem, no horário estimado das 9h, a polícia entrou na nossa casa sem mandado de busca e apreensão assinado por um juiz. As araras nunca sofreram maus tratos”, reiterou.

 

De acordo com o cuidador dos animais, as duas aves mais velhas estão em sua casa desde 1989. Depois da procriação, mais seis filhotes nasceram, em 2004. 

 

Segundo despacho do dia 21 de novembro do ano passado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a orientação é que há “a validade da posse de psitacídeos desde que prolongada (mínimo de 8 anos) e ausente maus-tratos, vedando-se a sua apreensão pela fiscalização e o seu recebimento no Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), salvo se comprovado o não atendimento dos requisitos mencionados”. O documento é assinado pelo presidente do órgão, Eduardo Fortunato Bim.

 

Robson apresentou ao Bahia Notícias um laudo veterinário que comprova que as aves não sofriam maus tratos. “Todas as aves são bem tratadas e tem carinho e atenção da responsável [mãe de Robson], que não lhes deixa faltar nada”, diz o veterinário responsável pela saúde das araras.

 

Ainda de acordo com o laudo, duas das aves possuem problemas de saúde, sendo necessários cuidados especiais. 

 

Robson assegura que apenas três aves ficavam na gaiola apreendida pela Coppa, e apenas para dormir. As demais araras transitavam pela casa normalmente.

 

Fotos dos filhotes | Imagem: Arquivo pessoal