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Clientes relatam racismo após cafeteria fazer post da campanha Blackout Tuesday

Por Mari Leal

Clientes relatam racismo após cafeteria fazer post da campanha Blackout Tuesday
Foto: Divulgação

“Engraçado. Não precisei sair de Salvador para sofrer racismo. Sofri dentro do seu próprio estabelecimento. Não seja hipócrita. Reveja seus preconceitos”. Essa é só uma das dezenas de acusações de racismo que a  Coffetown Savador, localizado no bairro da Vitória, em Salvador, vem recebendo após uma publicação em seu perfil na rede social Instagram nesta terça-feira (3). 


A imagem, que traz um coração na cor branca em contraste com um fundo de cor preta, foi escolhida pelo restaurante para se integrar à campanha Blackout Tuesday, uma versão digital dos protestos antirracistas iniciados nos Estados Unidos após a morte de mais um homem negro por um policial branco. A proposta de “empretecer” o feed das redes sociais ganhou proporção em todo o mundo, inclusive no Brasil.


Acompanha a imagem publicada pela Coffetown a mensagem: “Leia. Escute. Entenda. Reflita. Vidas negras importam. Racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89. Se você ou alguém próximo tenha sido vítima, denuncie para a delegacia responsável (71) 3117-7448. O nosso compromisso é e sempre será o de combater o ódio”. 


As interações, no entanto, levantaram uma série de acusações e advertências sobre a postura adotada pelo estabelecimento. “Que bonitinho, uma empresa querendo pagar de justa e politizada. Não adianta o card. Seu histórico já é conhecido entre a gente. Não vão passar”, diz outro usuário em referência ao termo “Racistas não passarão”. O lema “não passarão” expressa uma espécie de determinação em defender uma posição contra o inimigo.


“Em fevereiro saí do médico profundamente consternada com um diagnóstico e fui tomar um café com uma amiga. Lá fui  maltratada por uma atendente. Sem tato para falar, atender. Claramente uma menina branca que não estava confortável em servir a uma mulher preta. Isso não foi a primeira vez que aconteceu. Já fui lá outras vezes e isso se repetiu”, descreve uma terceira pessoa. 


Outra cliente denuncia: “Eu já fui seguida até meu carro por uma funcionária da loja que suspeitou que eu tinha furtado um canudo de metal. E as desculpas de vocês foram pífias. Me colocando culpada e não como vítima de racismo”. 


A postagem já recebeu mais de 140 comentários, relatos de pessoas pretas que vivenciaram ou presenciaram “tratamento diferenciado” em relação aos clientes que, coincidentemente, se diferenciam pelo tom da pele. 

 

Por meio de nota, a Coffeetown Salvador pediu desculpas e afirmou ter sido “surpreendida” com o relatos. 

 

“A Coffeetown Salvador vem a público se retratar pelo último post publicado em seu Instagram e pedir desculpas a todas as pessoas que, de alguma forma, se sentiram ofendidas, seja nas nossas redes ou no nosso estabelecimento. Fomos surpreendidos com relatos que não comungam com a nossa postura e nem com o que acreditamos. Prezamos pela inclusão, que vai do quadro de colaboradores à base societária. Entendemos que, a partir de agora, precisamos reavaliar nossas atitudes e promover ações que, de fato, contribuirão para uma sociedade justa e igualitária”, disse.