Bala que matou João Pedro no RJ tem calibre igual ao de fuzil de policiais
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou ser 5.56 o calibre da arma que matou o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. Ele foi baleado durante uma operação no Complexo do Salgueiro, na Região Metropolitana do estado, na segunda-feira (18), e familiares acusam agentes pelo disparo.
O delegado Allan Duarte, titular da Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), responsável pela investigação, afirmou na sede da unidade especializada, em Niterói (RJ), acreditar que o caso será solucionado rápido. Nesta quinta-feira (21), também foi ouvido na delegacia o piloto e comandante da aeronave que resgatou João Pedro, segundo o G1.
"[O piloto] Esclareceu para gente como foi feita a penetração do local, o socorro logístico do jovem. Hoje também recebemos o laudo de projetil, a gente já tem o calibre dessa arma", detalhou Duarte.
Duarte afirmou que o próximo passo da investigação é submeter a bala a exame de confronto balístico com o armamento apreendido com os policiais – dois fuzis calibre 7.62 e um 5.56. O delegado também disse que é possível ser feita uma reprodução simulada e ouvir mais pessoas.
"A investigação caminha e a gente acredita que num período curto de tempo a gente consiga chegar a uma solução para o caso", disse Allan Duarte.
A bala que matou João Pedro entrou pela altura do estômago, na barriga, perfurou o pulmão do garoto e ficou alojada na escápula – osso no alto das costas, perto do ombro. As informações constam em perícia preliminar feita pela polícia.
Três fuzis e uma pistola dos agentes envolvidos na ação estão apreendidas. Os trâmites para o confronto balístico, que pode dizer se tiro saiu de alguma dessas armas. Segundo os peritos, o disparo foi "alta energia cinética" – possivelmente um tiro de fuzil.
Os policiais envolvidos na ação já foram ouvidos. Inclusive, o copiloto do helicóptero da Polícia Civil usado para resgatar João prestou depoimento. Os investigados descartaram qualquer relação da família do menino com criminosos que fugiam dos policiais no momento em que João foi baleado.
Além do inquérito aberto na Divisão de Homicídios, a Corregedoria da Polícia Civil também instaurou um procedimento para apurar a conduta dos policiais envolvidos na ação.
Um dos pontos que investigação tentará responder é em relação ao socorro de João Pedro. Os investigadores querem entender a escolha feita pela equipe do Saer (Serviço Aeropolicial) de levar o menino para ser socorrido no contêiner do Corpo de Bombeiros, que fica na sede da unidade, na Lagoa.
Apesar de ter uma estrutura montada para o primeiro atendimento, com dois médicos socorristas, o heliponto fica na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mais perto dali, no Colubandê, em São Gonçalo, fica o Hospital Estadual Alberto Torres, uma das referências para atendimento de baleados no Rio de Janeiro.
Na DH, os policiais foram perguntados sobre essa opção de levar João Pedro para a Lagoa. Eles explicaram que acionaram o corpo médico dos bombeiros, que se prepararam para o pronto-atendimento e que “foi uma decisão de momento”.
