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São Salvador: Semestre pode ser cancelado após professores ficarem 5 meses sem salários

Por Mari Leal

São Salvador: Semestre pode ser cancelado após professores ficarem 5 meses sem salários
Foto: Leitor / Bahia Notícias

Cerca de 50 professores vinculados à faculdade São Salvador interromperam as poucas atividades acadêmicas que vinham realizando com os alunos durante a pandemia. O motivo é o não recebimento de cinco meses de salários e a falta de estrutura para a realização de aulas remotas e continuidade do calendário acadêmico durante a suspensão das aulas presenciais. 

 

Em abril, o Bahia Notícias divulgou denúncias dos alunos, que reclamaram a não existência de aulas. Alguns professores, por conta própria e utilizando recursos individuais promoveram atividades pontuais, segundo os discentes (reveja aqui). 

 

Ao Bahia Notícias, professores detalharam as dificuldades enfrentas por toda a comunidade estudantil e pelo corpo docente. As fontes falaram sob condição de anonimato.

 

“Os atrasos salariais sempre foram recorrentes. No último ano, quase que integralmente, recebemos os salários atrasados, com 30, 45 dias. Mas a partir de outubro os salários pararam de ser pagos. Temos outubro, janeiro, fevereiro, março e abril sem ser pagos.  Decidimos mais manter as aulas mais por respeito aos alunos. De certa forma, temos afinidade com os alunos, entendemos a posição social dos alunos que temos na instituição. Mas a situação foi ficando cada vez mais insustentável. Cinco meses é quase um semestre. Ficou insustentável”, disse. 

 

Professor do curso de direito, ele confirmou ainda a reclamação antes feitas pelos alunos, de que a instituição não organizou nenhum sistema padrão para a oferta das aulas durante a pandemia: “Durante a pandemia, eu e muitos outros professores continuamos dando aulas, nos adequamos a plataforma do Zoom, dando aula em áudio, compartilhando texto em PDF, se virando como era possível “, pontuou. Segundo ele, “o peso [da interrupção das aulas presenciais] todo foi sentido pelos professores. Usou a energia de sua casa, seus próprios equipamentos e a estrutura que já tinham. A faculdade não deu nenhuma estrutura e esse semestre 2020.1 ninguém recebeu um salário. Ficou muito fácil para a instituição. Ficou fechada, teve economia e transferiu todo esse prejuízo, esse custo para o professor, inclusive a responsabilidade por se movimentar pedagogicamente”. 

 

CANCELAMENTO DO SEMESTRE

O semestre 2020.1 da Faculdade São Salvador foi iniciado no dia 2 de março. Na prática, os estudantes tiveram menos de dias 15 dias letivos de aula. “Tivemos um problema também com o início das aulas, era pra começar dia 27 de janeiro, mudaram para 3 de fevereiro e mudaram. Colocaram na semana do Carnaval, depois mudaram pra dia 2 de março”, relatou ao BN um estudantes. 

 

Sobre a continuidade do semestre, conforme apurado pelo BN, é grande a probabilidade de que não ocorra. Temido por alunos, o cancelamento do período demonstra ser a realidade mais provável. 

 

“No meu caso, não cheguei a dar nem 30% do que foi programado para o semestre, não tenho mais condições de continuar lecionando sem, no mínimo, o pagamento de metade dos salários atrasados.  Ainda não dei a posição oficial para os alunos de que o semestre acabou porque ainda não tem essa posição oficial”, confessou um docente. 

 

Outro, em mensagem enviada a um grupo de alunos da área de saúde, afirmou que a direção da instituição “mandou um recado” pelos coordenadores de que não haverá pagamento dos salários caso não “provem as aulas dadas durante a pandemia”.  

 

“A gente não vai provar nada. O que eles estão devendo é o passado. Em época de pandemia, nós temos tudo gravado. Não é justo a gente trabalhar sem receber”. E a mensagem segue: “Infelizmente, estou muito sentida de falar isso para vocês. Condicionaram isso e não temos mais condições de continuar com as aulas. Vocês vão ficar com o semestre perdido, não vão poder se formar. Os rumores é que a faculdade está falindo”.  

 

A estimativa, segundo fontes, é de que o débito da faculdade individualmente com cada professor, a depender da quantidade de disciplinas ofertadas pelo docente, pode ultrapassar R$ 10 mil. 

 

“Além dos salários atrasados, a instituição nunca recolheu o FGTS e nunca repassou os descontos de 11% do INSS. Não é feito o repasse à Previdência”, denunciou um dos professores.

 

FALTA DE DIÁLOGO

Outra dificuldade enfrentada pelos docentes da instituição e que, por consequência, tem afetado aos alunos e à qualidade do ensino ofertado no período da pandemia é a dificuldade de um diálogo efetivo com a São Salvador, problema enfrentado por estudante e professores. 

 

“Os professores nunca tiveram nenhum contato formal com a direção da faculdade. Eles se utilizam dos coordenadores para servir de barreira. Fui contratado pela coordenadora. Eu e muitos colegas nunca vimos a direção da faculdade. Nosso contato é com a coordenação ou com a funcionária do RH”, enfatizou o docente. 

 

E acrescentou:  “Fizeram planos mirabolantes para pagamento e nunca cumpriram. Pagar o mês de outubro parcelado em seis vezes, pagar agora dia 15 de maio o salário de janeiro, e nada foi cumprido. O professor não tem contato com a direção. Manda e-mail e não é respondido e a coordenação dá sempre a mesma informação: estamos aguardando”. 

 

A Faculdade São Salvador integra o Caelis Grupo Educacional, que responde, conforme site oficial, por outras 10 instituições privadas de ensino superior. São elas: Faculdade Santo Antônio; Faculdade São Tomaz, Faculdades Integradas de Sergipe – FISE; Faculdade Santo Antônio de Queimadas; Faculdade Autônoma do Brasil; Faculdade Cabo de Santo Agostinho; Faculdade Padre Cícero; Faculdade Padre Cícero; Faculdade Vale do São Francisco; Faculdade Santo Antônio de Itabuna e Faculdade Santo Antônio de Feira de Santana. 

 

Na tarde desta terça-feira (19), o BN novamente tentou contato com a instituição de ensino. O telefone disponível no site da Faculdade São Salvador, que é o mesmo indicado para contato com o Caelis em sua página oficial, não atendeu às chamadas. A instituição de ensino também foi contatada pelo endereço de e-mail apontado no site oficial como único meio de contato, mas não deu retorno.