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Dados do Monitora Covid sugerem que há subnotificação até dos casos de SRAG

Por Ailma Teixeira

Dados do Monitora Covid sugerem que há subnotificação até dos casos de SRAG
Arte: Priscila Melo / Bahia Notícias

Com a repercussão do aplicativo Monitora Covid-19, o Comitê Científico do Consórcio Nordeste tem obtido informações essenciais para guiar a atuação de gestores no combate ao novo coronavírus. De acordo com o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador do grupo, ele é "fundamental" em cenários de subnotificação, como o atual, por permitir que se constate onde há novos focos da doença no país.

 

"É uma guerra onde o foco é móvel. Então, você tem que olhar como um todo para o Nordeste e, obviamente, para o país. (...) Aí você começa a ver que até os casos de síndrome respiratória aguda grave [SRAG] estão subnotificados", disse o médico em entrevista ao Bahia Notícias. A conversa foi registrada em uma transmissão ao vivo no Instagram do site.

 

Para Nicolelis, diante da importância já demonstrada, "o capítulo do Monitora, acoplado à sala de situação e às brigadas emergenciais, vai ser um capítulo central [que] vai mostrar que essa criatividade de misturar medicina com tecnologia e ciência foi uma das coisas mais úteis no combate ao coronavírus", destaca.

 

O app, que reúne informações sobre a doença, registra o estado de saúde dos usuários e faz orientações médicas, foi iniciado em fase de testes na Bahia e depois expandido para todo o Nordeste. Mais recentemente, diante de pedidos, Nicolelis conta que o comitê decidiu abri-lo para outros estados e o crescimento foi instantâneo. "Ele hoje é o mais bem rankeado aplicativo, que tem mais downloads na Google Store na área de saúde", afirma o coordenador.

 

Ao longo da conversa, Nicolelis ressalta que, a partir dos dados do aplicativo e as orientações do comitê, governadores e prefeitos podem decidir quem pode relaxar [as medidas de restrição], quem não pode e a que momento. No caso do Nordeste, o app possui ainda a função da Telemedicina e pode guiar o trabalho das brigadas emergenciais, já implantadas no Maranhão e no Piauí.

 

"[No app] Só sai localização e se a pessoa tem risco baixo, médio ou alto de estar com coronavírus e agora nós fazemos relatórios, gráficos... Vamos fazer análises estatísticas muito mais sofisticadas pra poder guiar políticas públicas em cada estado e até a nível de vizinhança", pontua.

 

Em um boletim recente, por exemplo, o comitê descreveu critérios para os governos estaduais decretarem o bloqueio total nos estados, o chamado “lockdown”. Um dos pontos indica que a medida deve ser adotada quando a ocupação dos leitos disponíveis atingir 80% da localidade.