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Juca 'roga aos orixás' para 'desconstruir erro' da eventual candidatura de Denice pelo PT

Por Matheus Caldas / Bruno Leite

Juca 'roga aos orixás' para 'desconstruir erro' da eventual candidatura de Denice pelo PT
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

“Até o último dia e a última hora” como pré-candidato à prefeitura de Salvador pelo PT, o ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, criticou a iminente candidatura da major Denice Santiago, da Polícia Militar (PM-BA), ao Palácio Thomé de Souza pelo partido. Ela é um nome cavado pelo governador Rui Costa. Juca roga para que “os orixás ajudem a descontruir esse erro”.

 

Na visão do ex-ministro da Cultura, um nome advindo da PM-BA é um “erro simbólico” para a legenda.  “As polícias militares fazem parte dos problemas do país. Acho que serão usadas, de uma maneira ou de outra, para atacar os governos do Nordeste. O que aconteceu no Ceará é um treinamento. Quando nós saímos com um candidato desta corporação, de alguma maneira você vincula o PT a uma coisa que não é exatamente o que o mesmo projeto. O projeto do PT, que está escrito no programa nacional, é desmilitarizar as polícias militares. Ou seja, construir outra polícia que não essa”, analisou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Na visão do postulante, por isto, a escolha de Denice causa um “desconforto gigantesco” dentro da sigla. Na visão dele, mesmo com a iminente escolha pela major, não há uma definição dentro do PT em torno do nome oficial. “Eu nem sou o mais afetado por esse desconforto, mas é gigantesco. Primeiro, é o desprezo por um processo que está sendo construído desde o PED [Processo de Eleições Diretas]. Houve uma rebeldia do PT de Salvador. Não elegeu a chapa escolhida pelo governador e pelo senador [Jaques Wagner]. Saiu com outra composição, que refletia demandas e expectativas da base do partido”, opinou. Ele se refere à derrota de Gilmar Santiago à reeleição na presidência municipal petista. Apoiado por Wagner, ele foi vencido por Ademário Costa.

 

O pré-candidato ponderou que o tom das críticas não é direcionado pessoalmente a Denice, mas à escolha. “Mesmo com as qualidades dela, e não discuto ela pessoalmente, pois não a conheço, essa é a grande dificuldade. Não tem condições de avaliação. Mas essa mistura da candidatura do PT com um quadro do ativo da PM eu acho que é um erro simbólico”, afirmou. “É uma incógnita como vai ser o governo e uma incógnita como vai ser a campanha tendo uma policial militar como representante. Eu acho que é muita incógnita pra uma eleição só”, acrescentou.

 

Sem a oficialização em torno de Denice, são quatro os pré-candidatos pelo partido: Juca, o deputado estadual Robinson Almeida, a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, e a socióloga Vilma Reis.