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Monique Evelle fala sobre empreendedorismo de impacto social: 'Não dá pra romantizar'

Por Bruno Leite / Rebeca Menezes

Monique Evelle fala sobre empreendedorismo de impacto social: 'Não dá pra romantizar'
Foto: Francisco Carlos / Ag Haack / Bahia Notícias

Criadora do Desabafo Social, organização que utiliza a comunicação e novas tecnologias para promoção dos Direitos Humanos, Monique Evelle aproveitou a entrevista ao Bahia Notícias pra falar sobre empreendedorismo de impacto social, que é diferente do de oportunidade. A jovem empreendedora aproveitou a noite desta terça-feira (25) no Camarote da Veveta, e aproveitou para usar o espaço como exemplo.


"[O empreendedorismo nos novos centros urbanos] É sempre pro dia seguinte, porque disseram que a gente não podia sonhar. Então nosso empreendedorismo tem que ser pro dinheiro de amanhã. Vou dar um exemplo: com 11 anos eu escrevi uma carta pra Ivete Sangalo. Com 25 eu sou convidada pra estar no camarote de Ivete Sangalo. Demorou 14 anos. No empreendedorismo demora 20, 30 anos, pras pessoas que vêm de onde eu venho". 

 

Essa é uma das diferenças, mas não a única. E isso é explicado pela história do país. "Desde 1888, pós abolição da escravatura, os maiores empreendedores de impacto social nesse país foram as pessoas negras, que tinha, literalmente, que sobreviver, mas em uma rede, pra contratar pessoas. Entendendo isso, a gente consegue dizer que não dá pra romantizar a galera que empreende... Se um ambulante quiser dizer que empreende, beleza. Mas é perverso a gente comparar um vendedor ambulante a um camarote. São outras realidades. O empreendedorismo de oportunidade é a galera que vai ter um investimento, nunca provou que vai dar certo e vai ter o dinheiro. A nossa galera, de onde eu venho, primeiro faz acontecer pra depois o dinheiro chegar".

 

Além da Desabafo, Monique criou há 6 meses uma agência que só contrata pessoas que vieram das periferias. "Eu não chamo de periferias, e sim de novos centros urbanos, por uma questão de imaginário social também. Agora a gente mudou a lógica, estamos focados na distribuição de renda, em que uma cortina vale R$ 1 pras pessoas que responderem os nossos desafios", explicou. "Entre mudar o mundo e ganhar dinheiro, o Desabafo está com os dois", resumiu.