Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Entretenimento

Notícia

Letieres diz que 'não existe o ritmo axé music' e critica indústria que organizou movimento

Por Lula Bonfim / Jamile Amine

Letieres diz que 'não existe o ritmo axé music' e critica indústria que organizou movimento
Foto: Jailton Suzart / Ag Haack / Bahia Notícias

À frente da Orquestra Rumpilezz, que se apresentou no Largo do Pelourinho, neste sábado (22), o maestro Letieres Leite comentou a crise da indústria do axé music e sobre os novos nomes que despontam atualmente. “A minha crítica durante o período que eu estava lá dentro, na produção de discos, próximo do sistema lá, é que eu não via nunca uma preocupação grande em reinvestimento na música, no pensamento de médio e longo prazo”, afirmou o músico, destacando que além do pensamento imediatista, não havia um respeito aos protagonistas, que segundo ele “eram os negros, os de matriz africana, que eram os criadores de verdade”.


Letieres criticou ainda o sistema que envolvia o movimento. “Era uma concentração muito grande de capital. Eu sabia que aqueles processos não iam dar muito certo, dava pra perceber que seria o que aconteceu. Eu me lembro que eu comentava muito que não tinha uma casa de show com capital do axé criada em Salvador, mas você via em Aracaju, em Campina Grande, em Recife, casas criadas por investidores que ganhavam grana com isso. Na Bahia não tinha nem isso, era sempre pro uso pessoal. Eu me preocupava também porque eu fazia parte da indústria, como arranjador”, explicou o maestro, destacando as diferenças para o que se produz hoje na Bahia. “O que é que essa cena nova tem de diferença fundamental? Ela se baseia na mesma fonte, não é diferente. Se você pensar em BaianaSystem, Vitrola Baiana, Attooxxa, esses grupos todos têm a sua base criativa a mesma que o axé teve, que é os toques da Bahia. A diferença é que a forma que eles lidam, respeitosa, faz muita diferença no resultado da organização e na forma também de lidar com o capital”, afirmou.


O artista destacou ainda que o axé é um movimento e não uma criação artística em si. “Não existe o ritmo axé music, eu desafio alguém a tocar. Se você for tocar, posso apontar: isso aí é frevo, é galope, ijexá, samba afro. Então [o axé] se apropriou como rótulo, isso é normal dentro da indústria, nós precisamos organizar”, disse Letieres Leite. “Ninguém inventou ritmo, são coisas seculares que já vieram desde a época que os negros foram trazidos na marra, desde o período da escravidão”, ressaltou o músico, explicando que quem estava à frente do movimento reestruturou, organizou, mas não criou um ritmo e não se preocupou com o futuro empresarial.


Apesar da crise, o artista garantiu que a música baiana segue viva. “Onde tiver pessoas aglomeradas pra dançar e se divertir, os ritmos da Bahia vão estar lá presentes. Esse fogo nao apaga não”, disse. “Agora, as formas de transformar isso em produto e negocio estão mudando muito”, explicou.