Lídice diz que CPMI das Fake News corre risco de não concluir investigações
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) declarou estar extremamente preocupada com o futuro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, colegiado e suas investigações em que deputados e senadores apuram a existência de grupos organizados para produção e difusão de fake news nas redes sociais.
Em entrevista ao UOL nesta terça-feira (18), Lídice, que é relatora da comissão, comentou que o prazo de funcionamento da comissão expira no próximo dia 13 de abril. Segundo a deputada, se não houver adiamento, não haverá tempo hábil para concluir as investigações.
Para conseguir adiar a CPMI é necessário o apoio formal de 1/3 dos 513 deputados e dos 81 senadores. Lídice diz que não há até agora nenhum líder ajudando a colher assinaturas.
"O relatório terá que ser meramente recomendatório, com propostas de legislação. Mas vai avançar pouco a respeito dos disparos em massa de fake news", prevê a relatora. Lídice também está preocupada com o incentivo que o presidente Jair Bolsonaro vem dando a seus aliados para agredir jornalistas.
DECLARAÇÕES DE BOLSONARO
A relatora da CPMI ficou particularmente escandalizada com os insultos de Bolsonaro de caráter sexual contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo.
Segundo Lídice, Bolsonaro usa "uma linguagem simbólica extremamente perversa e estimulante do desrespeito". O presidente declarou em tom jocoso, para uma claque de bolsonarismo: "Ela queria um furo. Ela queria dar um furo [risos] a qualquer preço contra mim” (veja aqui).
Lídice disse que está sofrendo pressões e agressões nas redes sociais, especialmente desde que apresentou queixa-crime ao Ministério Público contra Hans River, um ex-funcionário da empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de Whatsapp.
River insinuou em depoimento, sem apresentar qualquer evidência, que a repórter teria tentado seduzi-lo para obter informações e forjar publicações (saiba mais aqui).
