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Arrastão sem patrocínio, o alento de Carballal e o 'presente' do Gigante

Por Fernando Duarte

Arrastão sem patrocínio, o alento de Carballal e o 'presente' do Gigante
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

Seis dias. Foi esse o tempo necessário para que o vereador Henrique Carballal (PV) e a Câmara tentassem minimizar os efeitos negativos frente à comunidade católica do veto ao projeto que proibia festas na Quarta-Feira de Cinzas. O veto foi mantido, a contragosto de Carballal. Mas um acordo de cavalheiros permitiu que outro projeto fosse apresentado e aprovado num curto espaço de tempo, impedindo que a prefeitura de Salvador patrocine atividades “profanas” na data sagrada para a Igreja.

 

Ex-líder do governo de ACM Neto, o vereador do PV ficou entre a cruz e a espada ao levantar a bandeira contra a realização do arrastão na Quarta de Cinzas, tradicional encerramento do Carnaval de Salvador. Tanto que, em um esforço fora do comum, levantou a voz contra o veto do prefeito ao projeto. Bradou como um siri na lata, mesmo sabendo que dificilmente conseguiria derrubar a decisão final do prefeito. Imagina se ACM Neto iria, em sã consciência, proibir a realização de uma festa apenas por motivações religiosas? A lei poderia até ser inconstitucional, mas quem se importa, não é mesmo?

 

Porém a batalha de Carballal não poderia ser em vão. Afinal, ele se tornou o defensor da moralidade católica, que condena a profanação do início da quaresma – mesmo não tendo sido até então o bastião do catolicismo na Câmara, posto ocupado por Joceval Rodrigues (Cidadania) com méritos. Para evitar que Carballal ficasse inteiramente prejudicado no duelo com o moinho, a proibição do uso de recursos públicos serve de alento, para que a guerra não tenha sido perdida.

 

No primeiro ano após a vigência, no entanto, a lei parece não causar o efeito almejado pelo vereador e pelos católicos mais tradicionais. Em um evento da própria prefeitura, o cantor Léo Santana confirmou que fará sua despedida do Carnaval como tem feito ao longo dos últimos anos: com um arrastão que serve, principalmente, para aqueles que trabalharam em ritmo frenético nos dias anteriores ou para quem não queria se despedir do Momo.

 

O prefeito ACM Neto fez questão de frisar que não haverá recursos públicos para a derradeira apresentação do Gigante no Carnaval. Léo Santana foi contratado apenas para o Pipoco, festa que antecede a folia oficial da capital baiana. É bacana saber que foi encontrado um meio termo. Principalmente por notar que o cantor tem condições de bancar o arrastão por conta própria – ainda que, ao longo da folia, também tenha sido pago com dinheiro público. Uma mão lava a outra...

 

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (7) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré