Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Política

Notícia

Governo precisa de boa vontade dos deputados para votar previdência, mas há disposição?

Por Fernando Duarte

Governo precisa de boa vontade dos deputados para votar previdência, mas há disposição?
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

A reforma da Previdência encaminhada pelo governador Rui Costa à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) é uma adequação ao modelo proposto no Congresso Nacional. Segundo o governo, é imprescindível para que a Bahia siga contratando convênios com o governo federal. E, de efeito colateral, ainda reduz o déficit previdenciário, estimado em mais de R$ 4 bilhões para 2020. Até aqui, somente boas justificativas. O problema são os meios utilizados para aprovar o projeto, a toque de caixa e de maneira açodada – ainda que haja um esforço em negar que o debate esteja acontecendo nas coxas.

 

A matéria foi encaminhada ao Legislativo às vésperas do início do recesso. Por se tratar de um projeto de emenda à Constituição, possui uma tramitação com mais etapas e foi necessário um acordo com a oposição para que o texto tivesse prioridade, o que aconteceu no penúltimo dia de funcionamento regular da AL-BA em 2019. A chegada do texto e o acordo entre governo e oposição pegaram de surpresa os parlamentares. No entanto, ninguém levantou voz contra a medida. Não havia tempo para avaliar o projeto e também não valia a pena comprar uma briga na véspera do Natal.

 

O problema é que, passadas as festas de final de ano, parece que a ficha começou a cair. Para votar no recesso, como a prioridade permite, o governo precisa ter força para mobilizar os deputados estaduais, algo que não aconteceu com facilidade durante todo o último ano, quando todos estavam trabalhando. Convocá-los em janeiro, em plenas férias dos deputados, cria uma despesa política – além do custo financeiro – que o estado não deveria estar disposto a pagar, afinal a medida serve para diminuir o rombo previdenciário. Até agora o comportamento foi exatamente o contrário.

 

Escolher mandar a PEC no apagar das luzes foi estratégico para diminuir o impacto negativo junto a setores organizados do funcionalismo público. Optar pela tramitação acelerada, em janeiro, também. Entretanto, o feitiço pode virar contra o feiticeiro quando existe certo nível de insatisfação na base. Tanto que nem a convocação foi encaminhada ainda – sinal de que o governo pisa em ovos em um relacionamento conturbado, em que parlamentares não cansam de reclamar. Apesar da ampla maioria na Assembleia, o rolo compressor pode não funcionar quando o texto cria impacto negativo para os deputados. Mesmo porque o bônus das contas equilibradas ficaria apenas para Rui.

 

Enquanto não se chega a uma definição sobre os rumos da votação, o líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), segue fazendo malabarismos retóricos para convencer “movimentos sociais” de que as medidas são fundamentais para o futuro da máquina pública. Os sindicatos, que toda vida foram ligados ao petismo, terão que escolher entre aceitar a argumentação como pelegos ou forçar uma discussão mais cautelosa do projeto. A primeira opção é a mais provável. Depende mais de quanto o governo do estado pretender pagar pra ver.

 

Este texto integra o comentário desta quarta-feira (8) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.