Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Política

Notícia

PT de São Paulo coloca Rui Costa de escanteio ao tratar sobre 2022

Por Fernando Duarte

PT de São Paulo coloca Rui Costa de escanteio ao tratar sobre 2022
Foto: Paula Fróes/ GOVBA

O PT de São Paulo não admite, mas tem problemas com o braço nordestino do partido. Isso pode ser depreendido pela fala do deputado federal e vice-presidente nacional da legenda, Paulo Teixeira. Ao citar uma chapa apenas liderada por Lula ou por Fernando Haddad, Teixeira exclui o governador da Bahia, Rui Costa, de qualquer chance de disputar a presidência da República. Algo que nem o próprio Lula fez quando passou por terras baianas, uma semana após deixar a prisão.

 

Por mais que haja um discurso de inclusão do Nordeste nas esferas de decisão, o Partido dos Trabalhadores é dominado no plano federal por figuras ligadas ao PT paulista. Lula, ainda que nordestino, foi criado no ABC e de lá emergiu como liderança sindical para o mundo. Apesar da essência pernambucana, o ex-presidente “paulistou”. Por isso é facilmente deglutido pelos líderes partidários do Sudeste. Já Rui, coitado, está a anos-luz de obter a simpatia desse subgrupo petista.

 

Nem mesmo o senador Jaques Wagner, que iniciou a “tomada” da Bahia do carlismo em 2006 e se tornou um símbolo da expansão do petismo na era Lula, é tão bem quisto nesse seio. Vide a exclusão dele na executiva nacional da sigla, que gerou uma articulação para que o ex-governador baiano assumisse a liderança do PT no Senado. Ou seja, mesmo que em discurso haja o esforço para colocar o Nordeste no centro das discussões pró-PT, na prática não se observa o mesmo empenho.

 

Mesmo que tenha vindo dos nordestinos uma parcela expressiva dos votos de Haddad, a região é excluída do protagonismo a partir de declarações como a de Paulo Teixeira. No entanto, o próprio vice-presidente da sigla dá sinais da importância que o Nordeste tem para a próxima eleição geral, em 2022. Ele quer que Flávio Dino (PCdoB), um governador bem avaliado, reeleito em primeiro turno e que encerrou o domínio da família Sarney no Maranhão, seja alçado à vaga de vice na chapa. Ou seja, não cabe um nordestino criado como liderança política aqui na cabeça, mas na vice, como coadjuvante, cabe inteiramente.

 

É certo que Lula e Haddad são os candidatos naturais à presidência da República. O ex-presidente, no entanto, deve permanecer inelegível após as condenações em órgãos colegiados. Mesmo que o ex-prefeito de São Paulo siga como favorito nesse processo, não dá para descartar a emergência de uma figura como Rui, que já se colocou como uma opção. Ainda que o governador baiano não lidere as bolsas de apostas, deixá-lo de lado de maneira tão simplista é uma prova que nem sempre o núcleo petista paulista estaria disposto a abrir mão da sua condição privilegiada de comandar muitas decisões internas da legenda.

 

Pode não ter sido a intenção de Paulo Teixeira. Porém o deputado federal abriu margem a essa interpretação. Ligeiramente preconceituosa. Mas não existe xenofobia na esquerda, não é mesmo?

 

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (3) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.