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Após Operação Faroeste, fake news e especulações marcam fim de ano do TJ-BA

Por Fernando Duarte

Após Operação Faroeste, fake news e especulações marcam fim de ano do TJ-BA
Foto: Joilson Cézar/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

O ano do Judiciário da Bahia foi encerrado sob muita turbulência. É resultado da fatídica Operação Faroeste, que abalou estruturas do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ao afastar quatro desembargadores, inclusive o presidente Gesivaldo Britto. Porém, desde a deflagração da primeira fase no dia 19 de novembro, o campo da especulação sobre novas etapas da investigação ganhou as ruas e também começou a ameaçar ainda mais a já arranhada imagem do Judiciário. Muito burburinho para pouca preocupação com fatos. Com direito a fake news nascendo em veículos nacionais sobre futuros alvos da operação.

 

No dia seguinte à première da operação, já se falava que a Polícia Federal bateria à porta de outros magistrados. Não foi confirmado. E isso aconteceu antes mesmo da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago descumprir determinação judicial e acabar presa por esse ato. Ou seja, antes mesmo de um crime acontecer, já se alertava sobre a possibilidade de prisão, ainda que não houvesse elementos que indicassem isso.

 

Dos quatro desembargadores afastados, dois dirigiram o TJ-BA e os outros dois eram candidatos à Presidência. Figuras com penetração e interlocução com diversos segmentos da sociedade. Desde o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto, passando pela Assembleia Legislativa da Bahia e até empresários. Advogados, então, que têm obrigação profissionais de manter conversas regulares com a magistratura, estão no cotidiano. Manter relações sociais é parte do trabalho de quem exerce funções como a que esses magistrados ocuparam ou desejariam ocupar. Não há crime em manter a cordialidade. Ainda assim, surgiram conexões e sugestões de vínculos que criaram constrangimento sem necessidade.

 

É esperado que existam desdobramentos da Operação Faroeste. Até porque existe a perspectiva de que as investigações avancem a partir do material encontrado durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. A fase que teve como alvo endereços ligados ao joalheiro Carlos Rodeiro, por exemplo, deve gerar repercussões novas no processo. O que não quer dizer que é preciso macular a imagem de todo o Judiciário por “mal feitos” de membros do TJ-BA – ainda que estes tenham tido proeminência em algum momento.

 

O presidente interino Augusto Lima iniciou um processo de melhor transparência da Corte. As duas sessões do pleno comandadas por ele foram disponibilizadas para a população em tempo recorde se comparado com a gestão de seu antecessor – que não renunciou ao posto, mesmo tendo sido afastado da função de desembargador. Iniciou ainda uma série de medidas para reduzir despesas, suspendeu a desativação de comarcas e deixou para o próximo presidente a decisão de escolher novos desembargadores. Pode ainda ser pouco, mas foram iniciativas importantes para tentar minimizar os efeitos negativos da Faroeste no TJ-BA.

 

Com o recesso, a possibilidade da poeira baixar é grande. Esse distanciamento do dia a dia do TJ-BA pode facilitar para que a população média inicie o natural processo de esquecimento ou ao menos comece a separar joio e trigo. Isso se houver a colaboração dos especuladores de plantão.

 

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (20) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.